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Comportamento supersticioso e wishful thinking

Você já reparou que algumas vezes nós pensamos em algo, como por exemplo: melhor não ir que num vai dar em coisa boa. E realmente acertou? O que é isso? premonição?
Você já se pegou fazendo certos rituais, como por exemplo dar pulinhos, não passar por certos lugares, usar a mesma peça de roupa em situações semelhantes pq essa peça deu sorte antes, ou fazer provas coma mesma caneta e afins?

O primeiro é chamado de wishful thinking, ou algo como pensamento guiado por desejo. O segundo é o comportamento supersticioso.

“Mas Jheh, eu acerto sempre nas premonições!”

Eu também! é comum eu estar com sono e não ir p/ alguma aula e depois descobrir que não teve aula (sempre brinco: antes de irem p/ a aula, me liguem p/ saber as previsões do dia). Mas isso não é premonição. Eu sabia que havia a chance de não haver aula, por exemplo. E nem sempre eu acerto, na verdade, as probabilidades são as mesmas. Se a gente para p/ pensar em todas as “previsões” que fazemos, vamos perceber que, aleatoriamente, acertamos umas e erramos outras tantas. Mas como o acertar é o que nós vemos como o desejável, acabamos esquecendo das vezes que erramos. Quantas vezes levamos guarda-chuva e não chove? e quantas vezes esquecemos e chove? Mas pq será que só lembramos das vezes que, com uma premonição, nós levamos o guarda-chuva e realmente choveu (enquanto os outros se molhavam) ou o contrário, todos levaram e nós não? Pq esse é o desejado. Nós queremos que as previsões estejam certas, então quando erramos nós descartamos.
A mesma coisa uma simpatia ou uma oração: umas vezes vai dar certo e muitas vezes não dar em nada, mas como queremos que dê certo a pessoa vai ou esquecer das vezes mal sucedidas ou inventar desculpas como: “eu não merecia aquilo mesmo!” ou “eu fiz determinado passo errado, se tivesse feito de tal forma teria dado certo, sim”

E aí eu começo a falar de comportamento supersticioso.
Temos eventos (ambientais ou comportamentais e ambientais)que são dependentes, a isso nomeamos contingência. É o famoso”se…então”, como por exemplo: Se eu penteio o cabelo então ele fica desembaraçado. Se trabalhamos, então ganhamos dinheiro.
O “se” é um aspecto do comportamento ou do ambiente,o “então” é a consequência.

Ok, agora imagine que quando você abre a torneira cai um raio na mesma hora. O raio caiu por que a torneira foi aberta? Bem, nesse caso ocorreu uma coincidência, pois abrir a torneira não tem relação de dependência com o cair do raio. Da mesma forma que não há o “se… então” quando você se concentra para que o ônibus chegue, ou quando faz uma simpatia, ou quando reza. São coisas independentes que, como disse antes, vez ou outra pode ocorrer de coincidirem (e nós tendemos a esquecer quando não coincide).

Vamos supor que Maria passe embaixo de uma escada e caia um vaso de tinta na sua cabeça. Bem, se tinha uma escada lá e alguém pintando o muro, nada de estranho a lata cair na sua cabeça. Mas suponhamos que Maria não pensou assim, mas que foi o fato de ela ter passado embaixo da escada que fez com que caisse a tinta, ela passa a achar que passar embaixo de escadas dá azar. Ela relaciona o “passar embaixo da escada” com o “acontecer algo ruim”, sendo que esses dois eventos são independentes, foi algo acidental. Isto é a superstição.

Seria realmente muito legal que minhas “premonições” fossem verdadeiras. Entretanto, o fato de eu desejar que sejam não as torna verdadeiras. Na verdade, só me dificultariam “quebrar o encanto” e ver o que realmente aconteceu: apenas uma coincidência, que tinha a mesma probabilidade de acontecer que outras coisas.

Referência:

Souza (2001). O que é contingência? Sobre Comportamento e Cognição: aspectos teóricos, metodológicos e de formação em Análise do Comportamento e Terapia Cognitivista. Banaco, R. A., & Santo, A. São Paulo: ESETec.

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