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Ciência nas escolas

Estava outro dia a conversar e ler sobre o ensino de ciência e o quanto isso influencia na visão que as pessoas têm do assunto.

Eu, por exemplo, tive um tanto de sorte. Desde criança bem pequena fui incentivada à curiosidade do “como funciona” e também a desenvolver a coordenação motora. Na escola muitas vezes havia mostras de ciência, trabalhávamos quase o ano todo para isso, e em aulas aprendíamos na prática como várias coisas acontecem. No ensino médio tive a sorte de ter ótimos professores, que fizeram o máximo com o mínimo que tinham disponível. E hoje estou aqui, fazendo Psicologia mas desejando viver 300 anos p/ ter tempo de fazer mais coisas, tendo o estudo como um dos maiores passatempos.

Mas mesmo tendo acesso às mesmas coisas que eu, sempre vi colegas com imenso desprazer quanto a esses assuntos. Aliás, escola e estudo são sempre chamados de chatos e inúteis, a coisa piora quando os alunos recebem assuntos que nunca fazem sentido, que são completamente deslocados das vivências, que não se mostram realmente úteis.
Uma parte vem do não incentivo dos pais. Minha mãe bem sabe o quanto eu questiono a tudo. Quantos pais querem filhos com opinião própria? não é p/ qualquer um lidar com isso. Mas os que o fazem não devem imaginar o bem que promovem.
Pessoas que não foram incentivadas podem aprender a serem curiosas na escola, pq a escola pode ensinar com êxito muito do que os pais não ensinam. Entretanto a ladainha se repete: quantos professores desejam alunos que questionem? questionar é ver como igual, ali, do lado, um aprendizado mútuo. Quantos professores querem admitir que podem aprender com seus alunos? felizmente passei a ver mais professores assim com o passar do tempo. E assim se repete o mantra de pessoas alheias ao aprendizado como um todo, achando tudo muito chato, tudo muito sonífero, tudo muito difícil, tudo muito inútil.

Como achar legal se TODO mundo disser que é chato e fizer questão de que seja assim? como achar fácil e se dedicar quando se depara com professores colocando medo, exigindo coisas que não foram capazes de ensinar efetivamente? como ver utilidade se as coisas colocadas só são vistas dentro da escola e depois desaparecem?

 

Criticar e apontar defeitos é bem fácil, então qual a solução que proponho?
Vou partir da escola. Crianças adoram coisas “oooohh”, que tal vez ou outra mostrar algo na prática? coisas simples como mostrar como ocorre a erosão ou que o período de um pêndulo independe da massa. Crianças e adolescentes ficam entediados facilmente.

Isso mostra que se for p/ ficar 2 aulas só falando é melhor não falar pq não vão aprender e a culpa não vai ser deles: falta motivação. Alguns assuntos são muito densos, por isso filmes, músicas, brincadeiras, experiências ajudam no aprendizado. Já viram o Donald no país da Matemágica? é um ótimo exemplo. Qualquer um gosta de ter suas capacidades reconhecidas e quando isso acontece acabam por produzir ainda mais. Algumas vezes o que chamam de dificuldade de aprendizagem é somente uma falta de incentivo, falta de reconhecimento, desprezo das capacidades, tudo isso baixa a auto-estima e o aprendizado é completamente desmotivado.

Mas professores devem também estar motivados. Como fazer algo bem feito quando se tem que trabalhar em várias escolas p/ garantir um salário digno? Além disso há a questão de: como ser um bom professor se a formação do mesmo foi precária?

Ciência ainda é vista como coisa distante, que só um seleto grupo de “escolhidos” têm acesso, quase uma seita secreta.

Eles fazem algo e o povão só compra o resultado sem ser incentivado a perguntar o pq é daquele jeito. O rótulo de “cientificamente  comprovado” já serve p/ sanar qualquer mínima tentativa de ceticismo que possa haver. É preciso formar curiosos, pensadores, questionadores, céticos e não pessoas que sabem nomes, datas e fórmulas p/ provas e sequer sabem o significado disso. P/ quem, depois do 1º grau, não vai fazer algo relativo à ciência, artes, filosofia, matemática, não vai ser útil saber quem foi uma ou outra pessoa, mas a curiosidade, a vontade de ir além, o não aceitar só pq alguém falou que era daquele jeito permanecem e isso é o que diferencia uma sociedade que pensa de uma sociedade onde a maioria é ensinada a obedecer.

Quando se aprende ciência descobre-se que ela não é o poder absoluto, nem a última palavra, não depende da “afinidade pessoal” p/ decidir algo e que muda e DEVE mudar sempre, se renovar, que cientistas são crianças grandes querendo descobrir respostas para os mais loucos “porquês”.

E quando se descobre isso percebe-se que não é algo distante, que dá p/ fazer até no dia a dia, que podemos nos sentir parte disso. Se  as escolas conseguirem passar essas simples ideias eu ficaria satisfeita. Os talentos despertados dependem do ensino que recebem pois as pessoas só vão passar a se interessar de verdade quando descobrirem que é algo alcançável e mais, que pode ser divertido. Cientistas não são magos, remédios ou um GPS não surgem de milagres e sim como fruto de muito estudo. É justamente isso que, p/ mim e p/ muitos, torna tudo tão fascinante (mais que qualquer tentativa de explicação sobrenatural).

P/ ensinar ciência (como todos os outros componentes curriculares) é preciso paixão pela área, até pq, não tem como querer que os alunos se interessem por algo que o professor parece estar sofrendo p/ transmitir.

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