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Qual o poder da cultura?

Cultura muitas vezes é entendido como bons costumes, etiqueta ou comportamentos elitizados. Muitas vezes vejo gente reclamando da “falta de cultura” de outra pessoa ou de um programa de TV.

Entretanto, antropologicamente falando, cultura tem um sentido um tanto diferente, é vista como conjunto de práticas, costumes, ideologias, comportamentos, simbolos passados por gerações nas sociedades. É algo internalizado e cristalizado de tal forma que se tem a sensação de serem hábitos naturais.

As ideologias de um grupo são as principais fontes de dominação, que é uma relação onde há roubo do poder do outro, passando a tratá-lo como desigual.
Criam-se juízos de valor, estereótipos, preconceitos. Ligando características de valor a determinadas coisas. Estereótipos negativos criam e sustentam as relações de dominação.

A dominação cultural é o tipo de dominação mais difícil de se dar conta, justamente por se tratar de conceitos culturais já arraigados às práticas. É aquela coisa de pensar: mulheres são realmente tão mais sensíveis que o homem por natureza?  Os hormônios ajudam, mas será que essa sensibilidade toda é gerada só por hormônios? Ou será que se fala tanto disso que as pessoas acabam internalizando de tal forma que fica quase que natural? Se diz-se para uma menina desde pequena que mulheres são mais sensíveis elas não vão acabar internalizando isso? Ou se dizem para um menino que homens não choram, ele não se sentirá reprimido cada vez que tentar demonstrar alguma emoção? Será que tudo isso é SÓ hormônio? Será que patriarcalismo, que é a ideologia de que o homem é a maior autoridade e os que não forem adultos do sexo masculino são subordinados a ele, é SÓ hormônio?
No caso do racismo há a crença numa inferioridade nata de certas etnias. Onde uns são vistos como preguiçosos outros como avarentos, outros como impuros… Isso pode ganhar uma força tão grande que até os grupos minoritários podem passar a se enxergarem como inferiores. Essa forma de dominação que originou o Nazismo. E essa forma de dominação é encontrada hoje,por exemplo, no sionismo.

Mas essa inferioridade tida como natural NÃO É natural, é imposta por uma ideologia, assim como o “mulheres não servem para trabalhar na área de exatas” ou “homens nunca saberão cuidar dos filhos” ou “negros tem cabelo ruim e por isso alisam”. Mas é claro que será mais difícil uma mulher se interessar por exatas se desde sempre dizem que isso não é para mulheres. Claro que um homem vai sentir mais dificuldade se nunca o ensinaram a fazer nada relacionado à bebês.  E claro que pessoas negras sentirão vontade de alisar o cabelo, desde que nascem têm essa ideia enfiada goela a baixo!

Nenhum desses exemplos é natural, nada disso nasce com a pessoa, é tudo cultural e,como tal, PODE ser mudado.
Às vezes é tão difícil perceber o que é cultural e o que é natural que nós mesmos nos deixamos ser dominados até o dia que muitos percebam e lancem um “paaara tudo!” e se jogue um olhar sobre a questão.
É esse olhar jogado que faz as pessoas começarem a se perguntar se aquele peso que carregam é realmente necessário ser carregado. Estamos o tempo todo em mudanças, reformando ideias. E pq demora-se tanto a mudar? justamente por ser tão cristalizado. Demora para reavaliar hábitos, para ver que não precisa ser daquela forma, que todas as pessoas têm poder e que não necessitam se sujeitar à dominações. E como isso é possível? Bem, em psicologia tem a área de psicologia social comunitária que busca promover a singularidade, a cooperação e a retomada de poder em comunidades. Mas e para as pessoas que não estão nessas comunidades? Como conhecer seus direitos? Informação, acredito que seja uma das melhores saídas.

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