Tag Archives: ceticismo

uma resposta solta

hoje vou postar 1 vídeos que gosto muito:
The Backwater gospel (uma animação muito muito muito boa)

e a resposta a um desafio solto (?):

“Então prove que deus não existe!”

Como muitos já sabem, isso é falácia de inversão do ônus da prova. Mas como ainda tem gente que fala esse tipo de coisa, então convém explicar e espero me fazer entender.

Quem tem que provar algo é quem alega. Eu não fiz alegação alguma.
Pq?  imagine que eu diga que sei voar.


Eu “avuando” =D

Você, na sua vida inteira, só viu gente voar em sonho, em ficção e manipulação de imagem, logo, vai duvidar. Eu falo isso com muita convicção, porém, obviamente, isso não será motivo p/ que venhas a acreditar. Eu tenho que provar. Tirar uma foto ou gravar um vídeo não é suficiente, há várias formas de se manipular, requer então uma prova mais extraordinária. Eu tenho que voar na sua frente, p/ você ver. Se eu digo: “mas que afronta você duvidar! eu, que sou tão influente nessas coisas de voar! eu tenho palavra! você deveria acreditar só pelo fato de eu dizer, sem ter provas!”  Bem, isso ainda não vai te convencer que eu posso voar, certo? certo. E logo vais concluir: se ela não mostra é pq não sabe. Mas se eu sei e quero que acredites é só eu te mostrar e fica tudo certo (e você dizer que eu TENHO que mostrar para que acredites não é afronta nenhuma. É seu livre exercício de ceticismo saudável).

Agora façamos de conta que inversão de ônus da prova não é falácia. Prove que os 330 milhões de deuses hindus não existem.

“Prazer, Vishwakarma. Você não pode provar que eu não existo. =D”

Não pode? então eles todos existem (argumentum ad ignorantiam).
Uai, tá estranho isso, não é? Nós nunca vimos nem foi mostrada evidência alguma dos deuses egípcios, nem de Allah, nem nenhum dos deuses hindus, então como vamos concluir que eles existem?

Pois bem, o universo é muito vasto e em grande parte desconhecido para que alguém possa afirmar, com toda certeza, absoluta 100% que algo não existe. Seria desonesto, afinal, para algo não existir é necessário que não se encontre em nenhum canto do universo. Como não conhecemos tudo, mas também, como nenhum desses seres até hoje deu as caras, muitas pessoas não acreditam na existência de tais seres, nem por isso se pode dizer que não existem.

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sobre ceticismo

Começo a falar sobre ceticismo. Não vou falar muito sobre conceitos, isso outros já fizeram e muito bem.

Para começar, ceticismo não é: “eu me recuso a acreditar” e sim: “eu acreditarei, é só me mostrar evidências o suficientes para isso.”
Como eu encaro o ceticismo? como honestidade intelectual. A partir do momento que sabemos que há certos padrões e, ao mesmo tempo, cada experiência, cada lugar e época torna as pessoas diferentes, vemos o quanto ficamos distantes de uma verdade absoluta (este raciocínio talvez se aproxime mais do ceticismo filosófico).
Se estamos tão distantes então não dá para tomar partido só porque alguém disse que aquilo é o certo. Aí entra o ceticismo científico.

Dizer que algo é verdadeiro porque Einstein dizia ser não significa absolutamente nada…

É preciso pensar, raciocinar, observar, ir atrás da veracidade, questionar, procurar provas, ter curiosidade.
É lembrar sempre que não importa quem disse e sim o que disse (apesar de ainda terem mania de magister dixit, principalmente quando se misturam questões políticas e econômicas). E o ceticismo pode e deve ser aplicado em diversos meios.
“Mas Jheh, a ciência falha, não sabe de tudo, tá sempre mudando! não dá para confiar…” mas é claro que é assim! Vamos pensar um pouco: se um dia a comunidade científica disser que acabou descobertas, chegamos à verdade absoluta e é isso aí. Isso significa que ela teria se transformado numa exatidão absoluta e verdadeira? não (e seria de uma arrogância sem tamanho), somente que está entrando em contradição consigo mesma. Estar passível de mudanças não significa ser menos confiável, pelo contrário! significa que estará pronta a corrigir todos os erros que forem apontados, e quanto mais erros corrigidos, mais confiável, não? Até porque, fechar os olhos para as próprias falhas não fará com que desapareçam…

Só quando aprendemos que não somos perfeitos e que vamos errar algumas vezes mesmo sem querer estaremos mais sensíveis a identificar e consertar o erro.
É mais cômodo pular essa etapa toda e comprar uma ideia pronta, eu escolhi o caminho mais longo e demorado.

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