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femismo X antissexismo: e os homens?

Estava a ler coisas internet a fora e lembrei de um assunto que queria falar há algum tempo: homens.
Sim, mas não do jeito que revistas machistas/femistas falam.
Na verdade, começarei deixando claro:
O que É feminismo: Luta pela igualdade de direitos E deveres entre homens e mulheres.

O que NÃO É feminismo: supremacia das mulheres; privilégios p/ as mulheres; subjugar homens; mulheres são perfeitas e homens são todos cafajestes que não dão o valor que essas mulheres merecem; discriminação de homens.

Isso causa extrema confusão, entre homens e mulheres, pq na maioria das vezes se referem ao de baixo (que é FEMISMO) com o nome do de cima. E ae eu vejo aos montes coisas como “feministas fedem” ou “feminazi” ou “feministas odeiam homens”. Nada mais equivocado. Tenho visto pelos perfis de facebook da vida uma onda de femismo que como resposta, não é de se surpreender, tem mais machismo. É uma briguinha ridícula de gêneros.
Feminismo (da mesma forma que masculinismo) não visam superioridade e sim a conquista de direitos, principalmente o direito de fazer o que quer. Por isso ambos são formas de anti-sexismo.

Dito isso, vale lembrar também que o antissexismo não obriga ninguém a nada. É conquista de direitos e deveres iguais, e dá a liberdade p/ a escolha. Ninguém pode fazer tudo, então temos que escolher o que queremos. Se uma mulher quiser largar tudo e virar dona de casa? que vire! E se ela não quiser parir nunca e dedicar a vida ao trabalho? Que faça! E se um homem quiser cuidar das crianças enquanto a mulher trabalha?  Que cuide! E se um outro homem quiser virar professor de jardim de infância e cuidar de trocentas crianças? Que faça! Se quiser trabalhar e sustentar a família toda? que assim seja!
Nós temos que exercer papeis, mas estes papeis não são estáticos. Por exemplo, uma família que não viva de renda não pode escolher ficar todo mundo em casa cuidando das crianças. Nem podem simplesmente os pais sairem p/ trabalhar e deixarem as crianças sozinhas. Alguém sempre terá que trabalhar, alguém sempre terá que cuidar, alguém sempre terá que fazer comida, alguém sempre terá que limpar a casa… o que é mutável é quem e com que frequência vai fazer isso: o marido, a esposa, um empregado…

Agora, vou falar do que disse no início: homens. O que quero com eles?

Simplesmente dizer que muitas mulheres que se dizem vítimas da sociedade machista mal percebem que homens também sofrem com pressões sociais.
Como? ser chamado de sexo frágil não é lá a melhor coisa do mundo, principalmente quando isso ultrapassa questões biológicas. Mas quem disse que ser exigido o “sexo forte” é fácil? Ser o sexo forte tá intimamente ligado ao “homem não chora”, ao “trabalhe, vagabundo, sustente a família inteira e faça pose de fortão”, ao “vá estudar que homem sem dinheiro é desprezado”,  “mulheres que são sensíveis e carinhosas, você, que é ogro por natureza, deve tratá-las bem”,”homens são descontrolados, agem por instinto pq só pensam com a cabeça de baixo”, “mulheres se acham princesas e você tem obrigação de ser o príncipe encantado”  “dê segurança à mulher” e no fim, não importa o que façam, vem alguém enchendo a boca p/ falar que nenhum homem presta. Sinceramente, eu acho esse um peso muito grande. E não acho nada justo que homens tenham que continuar sendo obrigados a carregar isso.
Por isso, homens, VALORIZEM-SE! e não falo em questão de vestimenta nem com moralismo e sim como um “vocês não têm a obrigação de ouvirem calados tpm, irritações, chatices, crises, manias de superioridade, nem nada de mulher nenhuma!”
Como assim, não têm? aquele texto que rola pelo facebook associado a Arnaldo Jabour num disse que homem tem que aguentar tudo isso? Sim, disse. Mas quem disse que o texto tá certo? Quem é obrigado a aguentar piti, crise de insegurança, chatice e afins dos outros?

Lembremos: só existem homens que se acham por ter um carro ou por ser bombado pq tem um monte de mulher que baba por essas “características”. E só tem mulher que faz isso pq tem homem que aceite se prestar a esse papel de objeto. E ambos os comportamentos só se perpetuam pq a própria sociedade faz questão de reforçá-los.
Se um menino cresce aprendendo que tem que ser rico p/ que alguma menina queira ele, acham que ele não vai aprender  isso?
Se alguma menina cresce achando que homens devem ser ricos p/ valerem a pena, acham que ela não vai começar a achar que isso é verdade?
Se um menino cresce ouvindo que homens, por natureza, não prestam, que são irracionais, que são descontrolados e ,por isso, sem sentimentos e devem pensar só em sexo (ou só pensam com a cabeça debaixo), ele não vai achar que isso é verdade e emitir justamente esse comportamento?
Ou se dizem p/ uma menina que mulheres são por natureza frágeis, choram por tudo, têm o direito de se irritar na tpm e descontar essa irritação nos outros, ela não vai achar também que isso é verdade e emitir tais comportamentos?

Ouvi uma frase femista que dizia o seguinte: “Homem é igual caixa de isopor: você enche de cerveja e leva p/ qualquer lugar.”
Como que alguém que trata o outro dessa forma quer ser bem tratado?
Falar nisso, já repararam em propagandas de cerveja no Brasil?

sempre com uma mulher de pouca roupa por perto. Isso é ruim p/ as mulheres? sim. Mas pode ser ruim também para os homens? sim. Isso perpetua aquele pensamento da frase e de que homens  são quase que animais, DEVEM pensar o tempo todo em mulheres bonitas, estar rodeado delas, pegar todas, “provar” a masculinidade sendo o macho alfa, .  E aqueles que não pensam assim? que se virem com comentários ridículos de que são “fracos”. E a propaganda onde a Gisele B. usA  pouca roupa p/ manipular o homem?

não são também uma ofensa? Tipo: tire metade de sua roupa e manipule todos os homens, afinal eles agem por instintos, são que nem animais, não vão raciocinar. E sabe qual a pior parte? muitas mulheres e homens aprendem a agir exatamente dessa forma.
É nisso que quero chegar: grande parte das coisas que achamos que é natural na verdade é culturalmente ensinado. E até coisas biológicas são maximizadas de tal forma que se distorcem radicalmente. E quem pode mudar isso? Quem começou com isso: nós mesmos. Que tal começar educando melhor as próximas gerações? Sem esses estereótipos e exigências que só servem p/ baixar a auto-estima das pessoas em busca de um ideal que nunca será alcançado?

Ser antissexismo é saber que só temos a perder com briguinhas e competições, que as diferenças não fazem um superior ao outro e sim complementam. Intelectualmente temos as mesmas capacidades e podemos aprender as habilidades que temos em menor quantidade. Então não há realmente um motivo p/ continuar essa disputa ridícula de gêneros que só faz atrasar. E quem pensa que eu falo isso só p/ homens está enganado. Falo principalmente p/ mulheres que se acham as “feministas modernas” mas que torcem o nariz quando o cara não joga flores pelo caminho, abre a porta do carro (dele) e paga o jantar no restaurante caro. Direitos iguais significa também deveres iguais e nada disso está ligado a privilégios p/ nenhuma das partes.

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