Category Archives: hoje é dia de criticar

sobre o proselitismo vegan

Vou falar sobre outra modinha que às vezes cansa: veganismo.

Eu sou vegetariana principalmente por não gostar de carne e ser extrema desvantagem p/ mim consumir. Gosto de animais mas não posso levantar bandeira de defensora deles, seria muita hipocrisia da minha parte.

Existem vários motivos para ser vegan ou vegetariano: restrições religiosas, valores, dieta, recomendação médica, estilo de vida, defesa de animais…

Mas agora chego na parte crítica; proselitistas vegans.Quer coisa mais chata que gente tentando te converter? pois é bem assim. Estão sempre certos (por isso podem falar o que quiserem e da forma que quiserem), os que têm outro tipo de alimentação são seres malvados comparáveis à Hitler,assassinos e coisas assim.

Ae distribuem-se mil panfletos, imagens, vídeos p/ “conscientizar” as pessoas. Mas já pararam p/ se perguntar o que não vegans pensam do veganismo? Já pararam p/ pensar que chamar alguém de assassino só vai fazer com que essa pessoa sinta raiva? Ou acham que todo mundo vai parar e pensar: “oh, wait, sou um assassino, vou virar vegan!”?

Então, vou ajudar vegans que queiram divulgar o veganismo.
1- vídeos com apelação emocional somente faz com que as pessoas se sintam mal mas não as faz entender o veganismo. É ensinar alguém com punição, um “veja o mal que você está provocando, seu assassino!”. Que tal utilizar outra forma de reforçamento, a recompensa? p.e. “é possível ser saudável e sem gastar mais e ser vegan”.

2-não trate onívoros como vilões ou assassinos. Isso aumentará a probabilidade de emissão de uma resposta emocional, como raiva.
O comportamento de comer carne, no histórico do indivíduo,sempre foi reforçado, o que aumenta a probabilidade de emitir novamente esse comportamento. Ver o comportamento hostil por parte de certos vegans vai ser um estímulo aversivo, do qual a pessoa vai procurar se esquivar. Um estereótipo pode ser formado: todos os vegans são assim. A pessoa poderá se comportar de forma a se manter afastado disso.

3– fazer panfleto dizendo o quanto ser vegan é bom p/ a saúde é uma informação útil. Entretanto, p/ ser eficaz, é preciso saber o que as pessoas daquele local pensam sobre alimentação saudável e como elas veem a carne (fonte de saúde, hábito, prazer…), p/ que seja dito algo direcionado àquela população.

4- não trate a carne como vilã. P/ divulgar sua causa honestamente você não deve usar de mentiras ou meias verdades. Sabemos que é possível ser saudável tanto como onívoro quanto como vegan ou vegetariano, então dizer que veganismo é a salvação é um tanto de exagero e falso.
Outra coisa, não espalhe notícias falsas, alguém pode saber a verdade.

5- Uma das coisas que se deve levar em conta é a qualidade da informação dada sobre o comportamento alvo (no caso,veganismo). Lembrem que consequencias como gastar mais dinheiro ou mais tempo em algo ou estados de privação são um tipo de reforçamento que vai diminuir a probabilidade de alguém fazer esse algo…

Enfim, não seja um chato fundamentalista. Ninguém gosta de quem age assim. Que tal usar de mecanismos para promover uma aproximação ao invés de aumentar a probabilidade de afastamento? (:

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Quem tem medo da modinha do neo ateísmo?

acho que já vi um título parecido em algum lugar… enfim, o que são modinhas?
São aquelas “ondas”, na verdade, tsunamis, que quando vêm atingem vários grupos. São na maioria das vezes “cool” e de uma atração que é difícil determinados grupos propensos resistirem. Geralmente começam como que não quer nada e depois quando vemos já estão em todo canto.

E assim acontece com muita coisa. Os mais conhecidos são os musicais, punks, emos, coloridos, indies, funkeiros, e outros. Mas tem também em outras áreas, como pseudo: cults, revolucionários, comunistas, anarquistas, veganos…

Antes de falar de coisa ruim, vamos falar de coisa boa. Sim, modinhas tem seu lado bom (ou ótimo!). Algumas coisas que viram modinha não são ruins, desprezíveis ou descartáveis. São coisas boas que,sabe-se lá pq, uma hora cairam no gosto de muita gente. Essas modinhas podem servir justamente p/ chamar atenção p/ algo que é realmente legal e, depois que passa, essa coisa legal fica.Uma ideia, uma roupa, uma música, um escritor, um diretor… Esse destaque momentâneo e até falso pode render boas descobertas.

Mas e quando vai p/ o lado ruim?
É o que tenho visto com neo ateus: gente se dizendo mais racional que crentes, querendo acabar com as religiões, se achando porta voz da ciência…

e sabe qual a contradição? o que esses metidos a mais racionais usam de falácias NÃO É POUCO. Muitas vezes copiam falas de outros e sequer se perguntam se aquilo faz sentido, se aquela informação é verdadeira, se aquele vídeo tem alguma boa base ou se é mais um charlatanismo. E isso não me parece ser racional…
Charlatanismo e gente que quer se aproveitar existe em todo canto, basta ter quem acredite. Então não pense que por se dizerem “do lado da razão” que todos serão honestos e se preocupam em passar informações verdadeiras pq NÃO é assim. Muitos só querem enganar com meias verdades, verdadeiros lobos em pele de cordeiro, dizendo que os outros que são manipuladores p/ que você não perceba quando é manipulado por ele. Como diz uma professora minha: não nos enganemos…

Sobre o acabar com as religiões, já falei aqui, não adianta. Só promoveria brigas (piores que as que existem), e não resultaria de muita coisa. Alienação existe de onde menos se espera. Sabe aquele pastor lá que rouba o dinheiro dos fiéis? ele é tão ridículo e manipulador quanto neo ateus que vendem uma ideia como verdade e os “seguidores” aceitam sem questionar. Instituições manipuladoras, controladoras, alienadoras, coercitivas, existem aos montes, a religião é apenas mais uma. Acabar com ela vai dar p/ muitos a sensação de “agora sim somos livres” mas, hehehe, é essa a intenção: você achar que os outros estão presos para que não veja a corrente nos seus pés…

Sobre a ciência, a não ser que a pessoa FAÇA realmente parte dela, não fala por ela. Vejo muito por aí gente se colocando como “da ciência” sendo que não chega nem perto disso. Aliás, mesmo que faça parte, nem tudo que disser pode ser jogado na conta da ciência.
Lembremos que ciência trata de assuntos naturais, procura saber o que é, por que é daquele jeito, quais as condições que aquilo acontece, etc. Mas não cabe a ela dar sentido às coisas.
Se começa a falar de ciência num debate filosófico já está deslocado, pq são duas coisas diferentes que parte de lugares diferentes que na maioria das vezes não faz sentido misturar.

Neo ateus NÃO são iluminados que têm a missão de levar a luz para os “cegos crentes”. Na verdade, esse negócio mais me lembra aqueles que batem na minha porta num domingo de manhã querendo me converter… P/ quem ficar ofendidinho, sorry,mas essa é a verdade… Mais um paradoxo: gente que não gosta de quem tenta converter e é exatamente isso que faz. Só num sai batendo na porta de ninguém, mas chega perto.

Todos têm liberdade de expressão para falar o que quiser, seja algo construtivo ou ridículo. Mas lembremos: tudo isso vai gerar uma resposta e o tipo de resposta que vai gerar depende da maneira que você usar sua liberdade de expressão. Se você ataca alguém a reação mais esperada são ataques. E não adianta reclamar que tão querendo tirar sua liberdade. Tirar a liberdade ocorre quando impede-se o outro de falar e não quando respondem com opiniões contrárias (e com o mesmo nível de agressão).

Um pouco de ceticismo não faz mal a ninguém. Principalmente antes de entrar em uma discussão chamando os outros de irracionais sendo que a própria pessoa age irracionalmente quando acredita quase que cegamente nas fontes que usa (mesmo que não confessem, a maioria age assim).
Questionar é preciso. Quanto mais uma ideia te agrada menos você duvida e isso aumenta a probabilidade de ela te manipular. E como certas ideias são sedutoras, tão revestidas de verdade, tão bem faladas… É por isso que muitos saem por aí reproduzindo absurdos sem sequer filtrar as informações.

P/ finalizar, uma coisa a se ter cuidado: o ônus da prova é de quem afirma/garante algo. Portanto, é diferente dizer que não acredita que exista algum ser superior e dizer com todas as letras que este (ou estes) não existe(m). Simplesmente pq você NÃO PODE provar que não existe, logo, não pode garantir tal coisa (o que também não significa que exista(m)).

Maasssss, voltando às modinhas, até essa de neo ateísmo pode ter um lado bom. Retirando o fato de que a maioria dos neo ateus são tidos como escória do ateísmo, essa onda pode possibilitar que mais pessoas conheçam o ateísmo (além do neo ateísmo) e que realmente se sintam à vontade com essa ideia e busquem se aprofundar no assunto (além das briguinhas ridículas que o neo ateísmo muitas vezes causa), bem como descobrir se é o melhor p/ si.

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O inferno são os outros

É com essa frase de Sartre descontextualizada que começo a falar de inferno. E mais, do “não atribua aos outros um inferno que é seu.”

Não raro vejo gente dizendo que ateus/agnósticos/céticos/deístas/panteístas/qualquer teísta de crença diferente  vão para o inferno.
Isso chega a ter graça, ser ameaçado de ir p/ um lugar que nem se acredita existir. Tipo assim “você vai p/ o mundo inferior, morar com Hades” haha sério?

Antes de me exorcizarem, vou contar um pouco da história do demônio/diabo/Lucifer/cão/sujo e afins:

Na visão monista, deus é o criador de absolutamente tudo, sendo bom ou mau.
Em VI aec encontramos Zoroastro, um profeta persa com visão dualista. Este indivíduo escreveu sobre Mazda e Arimã , príncipe da luz e das trevas, respectivamente.
Em uma visão semi-dualista há um deus soberano mas que não é o “culpado” pelo mal.

O judaísmo é fortemente influenciado pela demonologia, angelologia e escatologia do zoroastrismo. Teve assim aa origem do nome “satan”, que significa “o adversário” “o acusador”, uma força poderosa oposta a Yaweh. Ele não é um anjo caído, é alguém designado a acusar os pecados. O inferno, sheol, é um lugar de não existência, não consciência, e não um lugar de punição. Não é eterno.

No cristianismo Lúcifer apareceu como sendo um querubim, o mais belo, o portador da luz, a estrela da manhã. Ele quis ser como deus e foi por isso exilado dos céus,tornando-se um anjo caído. Esse conceito deriva do satã judaico e do conceito de demônio grego, mas não é o mesmo que estes. O inferno é quase sempre representado como um local de eterno tormento e sofrimento.

No islamismo Iblis não era um anjo mas um Jinn, que tinham livre arbítrio como humanos. Ele recusou-se a ajoelhar perante deus e por isso foi condenado. O inferno é também uma condição eterna, com sete portões de entrada, onde há muito sofrimento.

Lúcifer, já denominado também como diabo, era considerado um ser que pode assumir a forma que desejar (ou seja,cuidado que ele pode estar do seu lado); aparência física derivada de figuras divinas da antiguidade,não necessariamente más, o reino sendo muito parecido com Tártaro, onde vivia Hades irmão de Zeus. Era o mundo inferior (inferno=inferus, que está por baixo) onde havia cérberos, humanóides ,monstros, demônios…  O conflito com deus deriva do Zoroastrismo.

Durante a Idade Média ele ganhou a aparência de asas de morcego,pata de bode,chifres,associação coma cor vermelha… aqui uma lista dos 10 demônios que atormentavam o povo da Idade Média
E nessa época também começou a “demonização” dos deuses dos outros. Qualquer um que não fosse Yaweh era demonizado.

Lembremos da Santa Inquisição em 1299,iniciada por Gregório IX com o objetivo de punir os hereges que não seguiam o cristianismo. Eles eram considerados possuídos e, por isso, eram levados a cometer atos heréticos.
Com o iluminismo o demônio fica em baixa, pelo aumento das explicações científicas e pelo antropocentrismo.

Atualmente há variância no que significa inferno e demônio para diferentes crenças. Algumas pregam como algo real, um lugar e um ser realmente palpáveis, outras como um lugar real mas não como dizem ser (com fogo e tal), e outras dizem ser apenas algo figurativo, uma metáfora para explicar melhor uma situação de “culpa eterna”.

Para algumas pessoas é importante haver a figura de deus e do demônio para personificarem o bem e o mal, de modo a tornar próximo das pessoas os limites  da ética e da moral. Como se, caso fosse retirado, as pessoas perderiam limites (já que não haveria um deus p/ julgar nem um inferno como condenação) e cometeriam crimes hediondos.

Não vejo essa sequencia ausência de deus> niilismo. Culturalmente já temos contato com uma série de valores morais, tradições e costumes. Não só a instituição religiosa faz coerção, a família, por exemplo, também faz (sendo influenciada ou não pela religião), o fato de uma pessoa não se guiar pelo código de moral da religião não necessariamente a fará virar niilista, pois a coerção, os conceitos de moral (mesmo que os religiosos, por já estarem incluidos na cultura) continuarão externos ao indivíduo, mesmo que este não veja esse externo vinculado a um ser superior (ou que esse ser seja um diferente).
Ou seja, caso fosse retirado (é estranho pensar nisso como algo repentino), as pessoas não necessariamente virariam niilistas, por já estarem inseridas num determinado contexto com exigências e regras externas ao sujeito, ainda sob influência da religião (influencia que não pode ser retirada, muito menos imediatamente como pensam alguns).

Nos últimos tempos tiveram que começar a dizer que “o deus é o mesmo”, creio eu que para minimizar a discriminação. Não, o deus não é o mesmo, nem em história, nem em promessas. Mas isso não significa que os deuses dos outros podem ser demonizados e não é nada respeitoso nem digno sair por aí ameaçando quem não tem nada a ver com isso ao inferno pela crença diferente ou não crença. Não por essas pessoas terem medo ou algo assim, e sim que,pelo fato de não acreditarem, certamente elas não estão a fim de perder seu tempo ouvindo pregação. Afinal,modificando Sartre, o inferno é dos outros. (:

Hades approves this post =D

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e o politicamente correto?

Vez ou outra me deparo com alguma repreensão quanto ao uso do “esclarecer”,  que explicam que é usado de forma pejorativa em relação aos negros. Eu me pergunto o que leva as pessoas a pensarem que qualquer coisa é discriminação. Sério. Falar do significado de “denegrir” e “judiar”, por exemplo, até que vai, na origem da palavra faz sentido (embora na aplicação dificilmente vejo alguém que use de forma a depreciar grupos). O que eu entendo por esclarecer: quando está escuro (ausência de luz) não enxergamos. Se algo clareia (ou esclarece) nós conseguimos enxergar. Por isso a época posterior à chamada idade das trevas foi o iluminismo. Onde está a depreciação de negros aqui? eu não enxergo, esclareça p/ mim 😉

Estava eu lendo a cartilha do hipocritamente aceitável, opa, Cartilha do “politicamente correto e direitos humanos”.

P/ começar, direi o que gostei:
Reconhece que todos são preconceituosos.

Basicamente, só isso. O resto é um dicionário de expressões, algumas realmente depreciativas, como esclerosado, e outras que acho estranho ver associado à depreciação, como negro.
A única parte que citarei é a de um texto apresentado logo no início, p/ não ficar descontextualizado, sugiro que leiam todo :
“Sabemos ainda que o negro não tem o mesmo potencial que o branco, a não ser em algumas atividades bem-definidas como o esporte, a música, a dança e algumas outras que exigem mais do corpo e menos da inteligência.”

Comassim “exigem mais do corpo que da inteligência”? inteligência se resume a cálculos ou à memorização de conteúdos?

Eu sinceramente penso que o significado maior por trás das palavras é dado pelo contexto que são empregadas. Como por exemplo, ao me chamar de doida meu namorado não está me depreciando (nem depreciando os portadores de alguma doença mental), apenas fazendo uma brincadeira comigo. Mas se um psicólogo fala p/ o usuário que ele “está doido” isso não será entendido como uma coisa muito boa…

Uma coisa interessante que eu vi na cartilha: chamar de nazista pessoas de direita e comunista pessoas de esquerda. É clássico! principalmente por parte de alguns ditos politicamente corretos… oi, hipocrisia?
Não querendo entrar no “politicamente correto” mas, comparar pessoas à Hitler ou chamar de nazista não é lá um argumento, é uma forma de falácia, uma saída pela tangente,principalmente se há espectadores. Pq? ora, quem além de um neo-nazi iria gostar de ser comparado à Hitler ou de ter suas ações sendo comparadas ao nazismo?

a imagem acima pode ter o “racista” trocado por “nazista/fascista”.
é praticamente uma apelação ao emocional fazer com que os espectadores sintam aversão à pessoa chamada de Hitler e tendam a não concordar com ela sob o risco de também serem chamadas de nazistas. Golpe baixo. Baixíssimo. E que tenho visto muito por aí sendo dito por neo ateus, vegans xiitas (sim, expressão politicamente incorreta) e alguns conservadores quando começam o “quem tem medo dos comunistas maus?”.

Algumas alternativas politicamente corretas beiram o ridículo. Não pode chamar de negro mas branco, amarelo e verde-oliva (oi, eu!) pode. Qual a diferença se tudo é cor? como já falei, tudo depende mais do contexto que da palavra e, em um contexto em que haja o preconceito, enfeitar o discurso não vai fazer o preconceito desaparecer.

Há demagogia demais e democracia de menos…
É somente se maquiar e vestir a fantasia de “povo sem preconceitos” e sequer enxergar que preconceitos e discriminações SEMPRE irão existir, que nem sempre são socialmente inaceitáveis  e que o primeiro passo para mudar algum estereótipo é reconhecer que eles existem dentro de si. Afinal, o preconceito que se tem com pessoas preconceituosas é tão grande que ao invés de serem incentivadas a reconhecerem para assim ser possível mudar as atitudes, as pessoas aprendem que devem jogar tudo p/ baixo do tapete (o que não fará com que deixe de existir). É a censura mode on?

em outro post falarei do humor negro (:

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M4MÃ3 QU3R0 $3R N3RD

Já tinha falado do pseudo-intelectualismo, agora falarei do que mais tenho visto ultimamente: geeks/nerds/gamers.

Acontece algo engraçado comigo: alguns significados que parecem bem óbvios, como o de nerd, depois que vejo falar muito acaba perdendo o significado. Então não sei exatamente definir o que seria um nerd ou o que tem que ter p/ ser um.
Clichezinho básico

Mas imagino como uma pessoa que tenha interesse por certos assuntos e vá atrás de saber sobre eles, goste de aprender. Talvez meio que por definição esses assuntos estejam ligados a jogos, tecnologias, lazer específico, ciência e ficção científica, mas não necessariamente tem um padrão, um “todos amam isso” ou “todos odeiam isso”. Está ligado à inteligência também pelo tanto de conhecimento acumulado e deve ser por isso que parecem mais anti sociais: estudar no meio de um bar não é lá a coisa mais fácil do mundo…
 É assim que eu enxergo um nerd, de qualquer forma, é apenas um rótulo que pessoas se identificam ou são identificadas.

Existe diferença entre usar uma roupa típica ligada a  um grupo e PERTENCER  a esse grupo. Talvez aí apareça o maior número de “novos pseudo nerds”. Nada de errado em usar as roupas que quiser (mesmo que seja SÓ pq “tá usando”). Mas da mesma forma que usar um kimono não te transforma em japonês, uma burqa não te transforma em muçulmana, uma pulseira com spikes não te faz um metaleiro nem uma blusa rasgadinha te faz um mendigo, usar roupas ligadas ao grupo dos nerds NÃO te faz nerd. Alguns entendem isso, outros não.

Roupa é só uma parte que não tem o valor daquele grupo por ela mesma. Aliás, nem os grupos em si (seja qual for) têm aquela coisa “quintessencial”.

Vejo também uma explosão de geeks. Isso é estranho pq, depois da Apple mania, ver trocentas pessoas com dinheiro p/ comprar uma macieira se dizerem geeks mas não saberem usar o que têm é no mínimo contraditório.

O significado exato é entrelaçado com nerds e gamers, tendo sutil diferença. Dizem que sofrem de neofilia (são atraídos por tudo que é novidade, no caso, tecnologia) e são considerados mais “populares” que os nerds.

Gamers são os que eu mais vi nos últimos tempos. É tão estranho ver gente do nada aparecendo como “gamer desde criancinha”… aliás, dizer que gosta de algo há muito tempo soa como um “veja, eu não sou poser!” mesmo que seja verdade acaba soando dessa forma devido a tanta gente que implanta um passado novo a cada modinha. Eu já fui completamente viciada em jogos de video game e só parei pq não sei ainda controlar haha. Mas tem gente que eu conheço desde essa época que NUNCA jogaram e ae implantaram um passado obscuro p/ sustentar seu novo rótulo: gamer.

Sabemos que estas eram espécies rejeitadas pelas garotas de antigamente. Eis que surge um boom de “I ❤ NERDS” e de pseudo-nerdAs por aí. E é um ciclo: garotos bonitos e legais começam a se vestir como nerds, estilo nerd é valorizado pelas garotas, garotos se vestem/agem dessa forma e são valorizados, mais garotas passam a gostar disso, o que incentiva mais garotos a anunciarem o nerdismo (voltando ao início do ciclo)…

Idiot Nerd Girl - i love nerdy guys with abs
E como falei dos supostos gamers acima, as gamers se acham por serem garotas que jogam videogame.
Bem, na época e lugar que eu jogava era muito raro aparecer alguma garota que soubesse o mínimo de jogos,aliás, em dois anos de frequentação diária da locadora de videogame do meu irmão, não lembro de ter aparecido (só minha mãe que adorava jogar Zelda).
Hoje parece que tá tudo diferente, talvez pq na época que eu jogava o PS2 (que custava uns 2000 reais) fosse o mais famoso, pq Nintendo só ligavam ao Mario e XBox quase ninguém sabia o que era. De lá p/cá as coisas foram barateando, jogos online ganhando destaque, caindo no gosto de não-gamers, e não vejo mais aquela coisa segregadora de “só meninos jogam” ou “todo gamer é nerd”, popularizou e se tornou acessível com jogos que podem agradar a gregos e troianos. Então quero saber qual o sentido real de TER que anunciar todos os dias ao mundo inteiro que joga video game e, pasmem, é uma mulher (tipo assim:sou especial por isso) ? E qual o sentido de fazer esse anúncio com uma foto fazendo cara secsi? alguém explica?
Talvez eu ache tão normal pessoas jogando que num vejo nada de fantástico ou sobrenatural nisso. É que nem ver alguém anunciando todos os dias o quanto adora comer bacon (e tirando fotos com um pedaço de bacon fazendo cara secsi se achando).

Onde quero chegar é que trocar informações sobre assuntos é muito bom, ler coisas engraçadas ou curiosidades sobre o que gosta também, conhecer coisas novas também, conhecer gente que gosta do que você gosta também é bom e compartilhar o que achou é melhor ainda. Mas eu não vejo um sentido além do “chamar atenção” e “parecer cool” p/ aqueles que fazem mais questão que os outros VEJAM o quanto ele é nerd/geek/gamer e afins do que realmente SER um.
E até que alguém me explique a graça de fingir que adora algo vou continuar achando perda de tempo.

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