Category Archives: cultura

Humor negro parte 2

Aqui a continuação =D

Veatch, em Uma teoria do Humor, define humor como um estado psicológico que proporciona o riso. De acordo com a Análise do Comportamento, o humor está diretamente ligado ao comportamento verbal, tendo a audiência como fonte de reforço, sendo estímulo discriminativo. O riso é um dos reforçadores que aumenta a probabilidade da emissão do comportamento de fazer uma piada; uma pessoa irá fazer uma piada se, naquele meio, ela foi reforçada com o riso da audiência.

Quando a ausência de uma consequência prática e quando nãoa violação de princípios morais enraizados ou crenças socialmente construídas, o humor proporciona o divertimento. Deve haver a percepção, por parte do ouvinte, de que trata-se de uma brincadeira, caso contrário, não haverá o entendimento ou gerará a sensação de ofensa e ameaça ao invés do divertimento.O não conhecimento do contexto também pode diminuir a probabilidade da emissão do comportamento de rir.

No divertimento também está presente o componente de imitação, onde as pessoas são condicionadas a achar graça em situações onde outras também acham, e emitem o comportamento de rir. O riso é, assim, reforçado diferencialmente pela comunidade na presença de diferentes tipos de piadas feitas.

Em uma entrevista, realizada pela equipe, com o analista comportamental Alessandro Vieira dos Reis (do blog Olhar Beheca) ele relata que “O Skinner fala de humor em Verbal Behavior. Ele comenta como todoo humor vem de duplas interpretações, de verbalizações feitas com duplo sentido, ou triplo, ou seja, o texto humorístico sempre é denso de significados. A maior parte do crescente fenômeno de Stand-Up Comedy é sobre ele, bem como séries como Family Guy e Os Simpsons.[…]Humor negro é tocar  em assuntos malditos, assuntos que foram banidos das conversas  comuns.[…]É uma forma de tocar em um assunto que as pessoas param de falar. Humor é quando é espirituoso, quando tem duplo  sentido e você tem que pensar alguma coisa pra chegar ao Xda piada.”

Alessandro diz ainda que:

Argumenta-se que fazer humor é aprendido e possivelmente um comportamento adaptativo, à medida que um evento pode ser menos estressante se levado com um senso de humor. […] Fazer piadas é um comportamento frequente na cultura brasileira. Comumente diz-se que, mesmo diante de uma tragédia coletiva, o brasileiro faz, no dia seguinte, uma piada sobre o ocorrido. […] Há muitas razões pelas quais homens riem […]: reflexos emocionais, como cócegas e, no campo verbal, porque há surpresa, embaraço, forma atípica (dialetos, sotaques) e até a vulgarização ou grosseria (“piada suja” ¹). […] O bom humor é um tipo de comportamento que pode ter várias funções, mas uma que se destaca é, através da irreverência, de eliminar o aspecto aversivo de temas delicados, deixando no lugar o riso e a descontração. (O bom humor) é uma forma de lidar com os problemas aparentemente negando-os, mas, na verdade, rindo deles para que assim esses estímulos percam sua força aversiva. Fazer rir, portanto, é mais que uma mera resposta motora: é uma estratégia problemas reais. Ridicularizar um problema, isto é, expor o autêntico ridículo dele, é uma forma de enfraquecê-lo. Mais tranquilos diante dos problemas (depois de rir deles), nossas chances de resolvê-los aumentam.”cultural para lidar com problemas reais. Ridicularizar um problema, isto é, expor o autêntico ridículo dele, é uma forma de enfraquecê-lo. Mais tranquilos diante dos problemas (depois de rir deles), nossas chances de resolvê-los aumentam.”

Fim da parte II =D

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Humor negro parte 1

Tu sabes o que é humor negro? Gosta? Pq as pessoas parecem ficar desconsertadas e algumas “se impedem” de rir mesmo quando acham graça?

Foram estas as perguntas que o grupo fez sobre este assunto para o componente curricular de Representações Sociais. Vou colocar aqui alguns trechos do trabalho:
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

O termo Representações Sociais foi cunhado em 1961 por Serge Moscovici, na França,  em sua pesquisa sobre a representação social da psicanálise. Moscovici usou como base para seu estudo a teoria das Representações Coletivas do sociólogo Émile Durkheim. No Brasil, as representações sociais estudadas por Moscovici foram influenciadas por Denise Jodelet, uma das responsáveis por desenvolver o conceito.

A teoria das representações é conhecida como teoria do senso comum pois baseia-se nas construções sociais cotidianas. Trata-se de uma simplificação do método científico tradicional, tornando saberes, que antes eram de difícil acesso popular, mais próximos da realidade da população para que sejam melhor compreendidos por esta.
Segundo Jodelet, representações sociais são a visão que as pessoas têm dos objetos sóciais. Uma forma de conhecimento que o pesquisador deve procurar principalmente nas entrelinhas do discurso, que é socialmente construído e representa a visão prática que forma a realidade comum ao grupo.

HUMOR NEGRO

A origem do termo humor negro data de 400a.e.c., na fase transitória entre a filosofia natural e a patologia médica. A palavra humor significa fluido, líquidos corporais. Eram considerados quatro tipos de humores (mais tarde dando origem a teorias de temperamentos): sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra, correspondentes aos temperamentos sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico, respectivamente. A quantidade de cada um desses líquidos influenciaria na saúde, personalidade e estados de espírito. O humor da bílis negra foi o que deu origem ao termo humor negro (líquido+negro).

O termo humor negro foi utilizado pela primeira vez pelo escritor surrealista André Breton no livro Anthologie delhumournoir (1940). Breton foi influenciado pela concepção de humor de Hegel e Freudo humor negro seria uma revolta superior do espírito e em seu livro escritos de Arp, Salvador Dali, Kafka  .SegundoBretonO humor negro é limitado por muitas coisas,como a estupidez,ironia céptica,uma piada não é grave […],mas é por excelência o inimigo mortal do sentimentalismo de ar perpetuamente assediado[… ] e algumas fantasias de curto prazo, que muitas vezes  para a poesia.(BRETON,1997,p.16).
Segundo Magalhães (2008) O humor negro entendido pelo brasileiro não adere totalmente à descrição do humor negro betroniano, nem se enquadra totalmente ao mesmo. Segundo Saliba apud Magalhães (2008) ” a crueldade da notícia da morte é diluída pela supressão das aparências, pelo jogo de palavras, ou através da mágica das mesmas palavras, que combinadas com o sublime da música e do ritmo, engendram o riso, quase que pela simples eliminação das próprias coisas.
(SALIBA, 2002, p. 266).” Esta nesta descrição que o humor negro brasileiro se encaixa, que por meio da dessensibilização atenua-se a característica perturbadora de algum assunto.

O que É humor negro:

O humor negro é o tipo de humor que utiliza o absurdo, inesperado, mórbido, que brinca com o senso de ética. É utilizado como forma de enfrentar situações aversivas e também como crítica. É uma das formas que socialmente as pessoas aprendem para amenizar o caráter aversivo de certas situações, rindo delas.
É sutil e o sentido não é escancarado.
ex.:

O que NÃO é humor negro:
piadas sujas, discriminação, piadas pesadas e 80% do que associam por aí ao humor negro. Sabe aquela página do FB “humor negro”? grande parte das coisas ali não pode ser considerado humor negro. (:

ex.: – Mamãe, eu não quero comer hamburguer no jantar! – Cala a boca, senão eu boto seu outro braço no moedor de carne!

fim da parte I
=D

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Entrando no mundo da leitura

Eu gosto muito de ler, muito mesmo. Quando criança li toda a parte infantil da biblioteca por diversão. Fui crescendo e os livros pareciam ter ficado sem graça, eu não queria mais ler os da parte infantil mas os mais conhecidos p/ a minha idade não me atraiam. Fiquei muito tempo sem ler. Até que mais ou menos em 2007 eu voltei. Conversava com muitas pessoas diferentes sobre os mais diferentes assuntos,eu necessitava ler. Não era somente por ser legal, eu comecei a PRECISAR ler. Até o dia que me foi irresistível e voltei ao mundo da leitura de vez.Mas aprendi algumas coisinhas básicas que, se soubesse antes,talvez nunca houvesse parado de ler e teria adentrado ainda mais no mundo da leitura

Abaixo as dicas que deram certo p/ mim(a maioria serve mais p/ leituras não obrigatórias):

1- Leia sobre o que VOCÊ gosta. Lembre-se que coisas chatas dão sono,se não for algo interessante ou com uma recompensa maior no final (como leituras obrigatórias) você vai deixar de lado rapidinho. E é o que VOCÊ gosta.
Sabe aqueles livros que TODO mundo parece adorar? eu detesto todos a maioria haha e esse talvez foi o que mais me impediu de continuar lendo por um tempo:achei que tinha algo de errado comigo por não gostar do que todo mundo gostava e achei que não gostava era de ler.
2-Leia quando e o quanto der vontade. Não se obrigue a ler quando já estiver saturado, mesmo quando obrigatório. Se for p/ ficar pensando no quanto a porta do guarda roupas da sua tia é legal, é melhor parar e fazer outra coisa e depois voltar. Entretanto outras pessoas se dão melhor com rotinas (não é meu caso), se for assim contigo, estabeleça um horário e local p/ fazer suas leituras.
3-P/ leituras obrigatórias, estipular o tempo de leitura diária necessária p/ ler até o final do tempo disponível. E sempre em lugares calmos e sem muitos estímulos que possam desfocar a atenção.
4-Ler não inclui só livros de ficção. Existem várias fontes de leituras como revistas,livros didáticos, jornais, artigos científicos… todos eles podem te acrescentar algo,basta escolher bem.
5-Se possível use marca texto/caneta/lápis. Se não, tenha uma folha do lado. Escrever dúvidas, “insights”, ideias, frases marcantes é sempre bom p/ fixar o conteúdo.
6- Se está começando e ainda assim tá chato se pergunte duas coisas: está gostando do conteúdo? se sim, pare,faça outras coisas e continue depois. Se não, pq ainda tá lendo? tá ocupando o tempo de outras leituras que podem ser mais interessantes.
7- Se você admira alguém, que tal procurar saber os livros que essa pessoa leu? pode revelar muito sobre a pessoa e o que ela pensa (o que não garante que você vá gostar também haha)
8- Leia livros adequados à sua idade ou “bagagem”. Não adianta forçar, p/ entender alguns conteúdos só tendo já uma leitura prévia, isso só vai causar frustração.
9- Ler melhora a escrita e aumenta o conteúdo. Com o tempo essa recompensa virá e será ainda mais motivante continuar a ler.
10- E a última, não há regras. Quer ler só 1capítulo? leia! quer ler só o final? leia! Afinal,só você vai definir o seu melhor roteiro e forma de ler. O importante é ler. =D

video clichê mas legal sobre leitura- Ler devia ser proibido

E vocẽs, alguma dica de leitura?
ps.: as duas imagens são minhas (:

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Até onde pode ir a obediência?

Uma pessoa considerada normal pode matar outra por pensar que está “apenas” obedecendo regras? Poderia a obediência a uma autoridade fazer alguém chegar a isso? Já se perguntaram por que em certas situações (como ditaduras ou guerras) pessoas comuns- aquelas que levam os filhos à escola, tomam sorvete na praça, amam brincar com o cachorro- podem torturar e matar sob o comando de uma autoridade?

Foram mais ou menos estas as perguntas de Milgram (1933-1984)  e, inspirado pelos acontecimentos da Alemanha nazista e o holocausto,  conduziu   um dos experimentos mais polêmicos da Psicologia, que buscava mostrar ser possível que qualquer pessoa submetida à pressões de autoridades poderia agir como um psicopata.

Experiência retirado daqui:
1 Um voluntário apresentava-se para participar na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de infligir choques;
Os sujeitos eram
encarregues num suposto papel de “professor” numa experiência sobre “aprendizagem”.
2 A máquina estava ligada ao corpo de um homem mais velho e afável, que era submetido à uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele;
3 O voluntário era instruído por um investigador a accionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 volts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como “choque ligeiro”) até
450 volts (marcado na máquina como“perigo: choque severo”);
4 À medida que a intensidade dos choques aumentava a pessoa queixava-se cada vez mais até que se recusa a responder;
O experimentador ordena ao sujeito para continuar a administrar choques.”Você não tem alternativa, tem que continuar”;
Ilustrações: Edivaldo Serralheiro

65% das pessoas obedeceram às ordens até o fim e deram o choque pretensamente fatal.

Variações no procedimento Milgram (1974):

  1. Proximidade da vítima:
  • Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite.
  • Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os sujeitos eram eles próprios a manter a mão do aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam até aos 450 volts.

2.  Proximidade da figura de autoridade:

  • Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a obedecer;

3.  Legitimidade da autoridade:

  • Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência caiu para 48%;

4.  Influências sociais:

  • Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos 92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.

links com vídeos do experimento:
legendado em espanhol
ao que parece, este foi realizado em 2010
audio em espanhol
 audio em inglês

Milgram realizando o experimento

 

Penso que essa experiência nos é útil p/ mostrar como um arranjo apropriado das contingências podem levar pessoas normais a agirem de forma muito diferente do seu comum por estarem a obedecer a autoridades. E pensemos: claro que dificilmente saem por aí dando choques reais em quem responde errado mas, e no cotidiano, será que muitas vezes as pessoas não agem de forma que iria contra seus “princípios” por obediência? E em momentos de revolução, ditadura, guerras, repressão? O que somos capazes de fazer sob determinadas contingências?

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Sobre corpos e uma (utópica) libertação de estereótipos

Hoje, como é dia da mulher, falarei de corpos e das exigências feitas sobre eles.

É comum eu ouvir coisas como “ditadura da magreza” que supostamente diria p/ todas as mulheres serem magras como modelos de passarela. Mas, paradoxalmente no meu caso, eu conheci pouquíssimas que se sentiam pressionadas a isso (sem apresentarem algum transtorno alimentar ou de dismorfia corporal).
Na verdade, quando se fala de pressão externa, sempre vi mais em relação a um corpo “malhado””siliconado” “corpão” e não a um corpo meramente magro.

Eis que surge o plus size que, ao invés de ser visto como mais um leque de opções p/ enriquecer o mundo da moda (e aos poucos mudar a exigência do 36 nas passarelas), muitos viram como chance de depreciar as magras.

O plus size deveria servir p/ mostrar que ninguém (principalmente essas que sofrem com dietas rigorosas) precisa desrespeitar os limites do corpo p/ ser bonita.
Mas vejo muita gente usando isso p/ dizer “essas são mulheres de verdade” ou “essas modelos/pessoas magras são desnutridas, parecem anorexicas”. Ou seja, mulheres magras são “de mentira” e todas doentes, uma propagação de um certo “ódio” às magras. Muitas modelos sofrem, sim, por não serem naturalmente magras e têm que fazer mil dietas p/ entrar na roupa que cabe em todo mundo, mas a maioria é magra por genética. Essas generalizações são apenas mais um estereótipo negativo que não se aplica ao grupo inteiro. Não precisa disso! É tentar combater um preconceito com outro. Fico me perguntando quando viveremos num mundo onde, quando saudáveis, todas as medidas virão a ser consideradas normais…

Bem, essa da foto num é gorda não, mas foi a melhor que achei com os dois exemplos.Sorry!

E  estereótipos negativos (tanto o usado p/ gordas quanto p/ magras) que fazem com que os que estão fora do padrão (que não é especificamente a magreza e sim o “malhado” “sarado” “corpão”) fiquem com auto-estima baixa, mais propensos à insegurança.
E como se reverte essa insegurança? é preciso desenvolver o auto conhecimento.  [behaviorism mode on] Para Skinner (1982) “O autoconhecimento é de origem social. Só quando o mundo privado de uma pessoa se torna importante para as demais é que ele se torna importante para ela própria…” pois “então ingressa no controle de comportamento chamado conhecimento. Mas autoconhecimento tem um valor especial para o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma’, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento.” (p.31).
mais aqui
E não é fácil, já aviso, mas também não é impossível. É se perguntar o que está sentindo, pq está sentindo, o que pensa e pq pensa dessa forma (pensar também é um comportamento!) como pode agir no ambiente p/ mudar isso, se precisa de ajuda profissional para conseguir, dentre outras coisas.
P/ alguns essa insegurança é revertida com a mudança no corpo. Se este é seu caso, avalie bem isso, os prós e contras e, se ainda assim quiser mudar, faça-o respeitando seus limites, mesmo que demore. Auto controle também é muito importante. sobre auto controle aqui
[behaviorism mode off]

Referência
SKINNER. B. F. (1982) Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix/Edusp.

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O inferno são os outros

É com essa frase de Sartre descontextualizada que começo a falar de inferno. E mais, do “não atribua aos outros um inferno que é seu.”

Não raro vejo gente dizendo que ateus/agnósticos/céticos/deístas/panteístas/qualquer teísta de crença diferente  vão para o inferno.
Isso chega a ter graça, ser ameaçado de ir p/ um lugar que nem se acredita existir. Tipo assim “você vai p/ o mundo inferior, morar com Hades” haha sério?

Antes de me exorcizarem, vou contar um pouco da história do demônio/diabo/Lucifer/cão/sujo e afins:

Na visão monista, deus é o criador de absolutamente tudo, sendo bom ou mau.
Em VI aec encontramos Zoroastro, um profeta persa com visão dualista. Este indivíduo escreveu sobre Mazda e Arimã , príncipe da luz e das trevas, respectivamente.
Em uma visão semi-dualista há um deus soberano mas que não é o “culpado” pelo mal.

O judaísmo é fortemente influenciado pela demonologia, angelologia e escatologia do zoroastrismo. Teve assim aa origem do nome “satan”, que significa “o adversário” “o acusador”, uma força poderosa oposta a Yaweh. Ele não é um anjo caído, é alguém designado a acusar os pecados. O inferno, sheol, é um lugar de não existência, não consciência, e não um lugar de punição. Não é eterno.

No cristianismo Lúcifer apareceu como sendo um querubim, o mais belo, o portador da luz, a estrela da manhã. Ele quis ser como deus e foi por isso exilado dos céus,tornando-se um anjo caído. Esse conceito deriva do satã judaico e do conceito de demônio grego, mas não é o mesmo que estes. O inferno é quase sempre representado como um local de eterno tormento e sofrimento.

No islamismo Iblis não era um anjo mas um Jinn, que tinham livre arbítrio como humanos. Ele recusou-se a ajoelhar perante deus e por isso foi condenado. O inferno é também uma condição eterna, com sete portões de entrada, onde há muito sofrimento.

Lúcifer, já denominado também como diabo, era considerado um ser que pode assumir a forma que desejar (ou seja,cuidado que ele pode estar do seu lado); aparência física derivada de figuras divinas da antiguidade,não necessariamente más, o reino sendo muito parecido com Tártaro, onde vivia Hades irmão de Zeus. Era o mundo inferior (inferno=inferus, que está por baixo) onde havia cérberos, humanóides ,monstros, demônios…  O conflito com deus deriva do Zoroastrismo.

Durante a Idade Média ele ganhou a aparência de asas de morcego,pata de bode,chifres,associação coma cor vermelha… aqui uma lista dos 10 demônios que atormentavam o povo da Idade Média
E nessa época também começou a “demonização” dos deuses dos outros. Qualquer um que não fosse Yaweh era demonizado.

Lembremos da Santa Inquisição em 1299,iniciada por Gregório IX com o objetivo de punir os hereges que não seguiam o cristianismo. Eles eram considerados possuídos e, por isso, eram levados a cometer atos heréticos.
Com o iluminismo o demônio fica em baixa, pelo aumento das explicações científicas e pelo antropocentrismo.

Atualmente há variância no que significa inferno e demônio para diferentes crenças. Algumas pregam como algo real, um lugar e um ser realmente palpáveis, outras como um lugar real mas não como dizem ser (com fogo e tal), e outras dizem ser apenas algo figurativo, uma metáfora para explicar melhor uma situação de “culpa eterna”.

Para algumas pessoas é importante haver a figura de deus e do demônio para personificarem o bem e o mal, de modo a tornar próximo das pessoas os limites  da ética e da moral. Como se, caso fosse retirado, as pessoas perderiam limites (já que não haveria um deus p/ julgar nem um inferno como condenação) e cometeriam crimes hediondos.

Não vejo essa sequencia ausência de deus> niilismo. Culturalmente já temos contato com uma série de valores morais, tradições e costumes. Não só a instituição religiosa faz coerção, a família, por exemplo, também faz (sendo influenciada ou não pela religião), o fato de uma pessoa não se guiar pelo código de moral da religião não necessariamente a fará virar niilista, pois a coerção, os conceitos de moral (mesmo que os religiosos, por já estarem incluidos na cultura) continuarão externos ao indivíduo, mesmo que este não veja esse externo vinculado a um ser superior (ou que esse ser seja um diferente).
Ou seja, caso fosse retirado (é estranho pensar nisso como algo repentino), as pessoas não necessariamente virariam niilistas, por já estarem inseridas num determinado contexto com exigências e regras externas ao sujeito, ainda sob influência da religião (influencia que não pode ser retirada, muito menos imediatamente como pensam alguns).

Nos últimos tempos tiveram que começar a dizer que “o deus é o mesmo”, creio eu que para minimizar a discriminação. Não, o deus não é o mesmo, nem em história, nem em promessas. Mas isso não significa que os deuses dos outros podem ser demonizados e não é nada respeitoso nem digno sair por aí ameaçando quem não tem nada a ver com isso ao inferno pela crença diferente ou não crença. Não por essas pessoas terem medo ou algo assim, e sim que,pelo fato de não acreditarem, certamente elas não estão a fim de perder seu tempo ouvindo pregação. Afinal,modificando Sartre, o inferno é dos outros. (:

Hades approves this post =D

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