Monthly Archives: February 2012

e o politicamente correto?

Vez ou outra me deparo com alguma repreensão quanto ao uso do “esclarecer”,  que explicam que é usado de forma pejorativa em relação aos negros. Eu me pergunto o que leva as pessoas a pensarem que qualquer coisa é discriminação. Sério. Falar do significado de “denegrir” e “judiar”, por exemplo, até que vai, na origem da palavra faz sentido (embora na aplicação dificilmente vejo alguém que use de forma a depreciar grupos). O que eu entendo por esclarecer: quando está escuro (ausência de luz) não enxergamos. Se algo clareia (ou esclarece) nós conseguimos enxergar. Por isso a época posterior à chamada idade das trevas foi o iluminismo. Onde está a depreciação de negros aqui? eu não enxergo, esclareça p/ mim 😉

Estava eu lendo a cartilha do hipocritamente aceitável, opa, Cartilha do “politicamente correto e direitos humanos”.

P/ começar, direi o que gostei:
Reconhece que todos são preconceituosos.

Basicamente, só isso. O resto é um dicionário de expressões, algumas realmente depreciativas, como esclerosado, e outras que acho estranho ver associado à depreciação, como negro.
A única parte que citarei é a de um texto apresentado logo no início, p/ não ficar descontextualizado, sugiro que leiam todo :
“Sabemos ainda que o negro não tem o mesmo potencial que o branco, a não ser em algumas atividades bem-definidas como o esporte, a música, a dança e algumas outras que exigem mais do corpo e menos da inteligência.”

Comassim “exigem mais do corpo que da inteligência”? inteligência se resume a cálculos ou à memorização de conteúdos?

Eu sinceramente penso que o significado maior por trás das palavras é dado pelo contexto que são empregadas. Como por exemplo, ao me chamar de doida meu namorado não está me depreciando (nem depreciando os portadores de alguma doença mental), apenas fazendo uma brincadeira comigo. Mas se um psicólogo fala p/ o usuário que ele “está doido” isso não será entendido como uma coisa muito boa…

Uma coisa interessante que eu vi na cartilha: chamar de nazista pessoas de direita e comunista pessoas de esquerda. É clássico! principalmente por parte de alguns ditos politicamente corretos… oi, hipocrisia?
Não querendo entrar no “politicamente correto” mas, comparar pessoas à Hitler ou chamar de nazista não é lá um argumento, é uma forma de falácia, uma saída pela tangente,principalmente se há espectadores. Pq? ora, quem além de um neo-nazi iria gostar de ser comparado à Hitler ou de ter suas ações sendo comparadas ao nazismo?

a imagem acima pode ter o “racista” trocado por “nazista/fascista”.
é praticamente uma apelação ao emocional fazer com que os espectadores sintam aversão à pessoa chamada de Hitler e tendam a não concordar com ela sob o risco de também serem chamadas de nazistas. Golpe baixo. Baixíssimo. E que tenho visto muito por aí sendo dito por neo ateus, vegans xiitas (sim, expressão politicamente incorreta) e alguns conservadores quando começam o “quem tem medo dos comunistas maus?”.

Algumas alternativas politicamente corretas beiram o ridículo. Não pode chamar de negro mas branco, amarelo e verde-oliva (oi, eu!) pode. Qual a diferença se tudo é cor? como já falei, tudo depende mais do contexto que da palavra e, em um contexto em que haja o preconceito, enfeitar o discurso não vai fazer o preconceito desaparecer.

Há demagogia demais e democracia de menos…
É somente se maquiar e vestir a fantasia de “povo sem preconceitos” e sequer enxergar que preconceitos e discriminações SEMPRE irão existir, que nem sempre são socialmente inaceitáveis  e que o primeiro passo para mudar algum estereótipo é reconhecer que eles existem dentro de si. Afinal, o preconceito que se tem com pessoas preconceituosas é tão grande que ao invés de serem incentivadas a reconhecerem para assim ser possível mudar as atitudes, as pessoas aprendem que devem jogar tudo p/ baixo do tapete (o que não fará com que deixe de existir). É a censura mode on?

em outro post falarei do humor negro (:

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Pq a marcha das vadias vai demorar de dar certo?

Estava pensando outro dia se essa coisa toda de marcha das vadias dará certo ou não. Minha conclusão é de que não dará, ao menos não agora e sem esforços.
Só p/ constar, vou focar mais na parte da visão das roupas curtas por tradicionalistas que na parte da violência sexual.

Mas p/ essa parte não passar despercebida, vou dar dois exemplos: Se a roupa tivesse ligação com “permissão p/ estupro”, muçulmanas nunca seriam violentadas e a maioria das mulheres que vão à praia (principalmente as que fossem sozinhas) seriam atacadas. Não é isso que vemos na realidade, então p/mim já fica bem claro que a roupa é só uma desculpa que usam p/ aliviar o agressor e culpar a vítima. O que me soa extremamente ofensivo também para com os homens,por tratá-los como animais desprovidos de racionalidade e auto-controle que vão atacar qualquer uma que saia com um pouco de pele mais à mostra, o que sabemos que também não é verdade.

Mas, pq a marcha das vadias não dará certo por si só? siga a linha de raciocínio:

1- uma pessoa é antissemita

2- judeus fazem uma marcha dos judeus p/ que antissemitas vejam que aquela discriminação não faz sentido

3- antissemitas continuam a ser antissemitas

 

E pq é assim? pq não basta judeus e outros dizerem o quanto aquele estereótipo não faz sentido, isso não convence antissemitas. P/ mudar o estereótipo de uma pessoa é preciso muito mais que um simples dizer que não é daquele jeito.
Por isso nem a das vadias e nem NENHUMA outra marcha dará certo por si mesma. Pq o objetivo das marchas é chamar a atenção. Se depois de chamar a atenção coisas mais sólidas não forem feitas, o trabalho é em vão e vira mais um carnaval fora de época (que nem fazem com a parada gay).
É claro que não é todo mundo que fica só no chamar atenção, mas é o que faz a maioria. E essa mesma maioria que age muitas vezes de forma contraditória no dia a dia.

Digo isso pq vejo muita gente que só vai p/ a marcha das vadias por gritaria, diz que não quer ser estuprada por usar roupa curta, sai “fantasiada” e depois que aquilo tudo acaba volta à vida normal de falar da roupa dos outros, de o quanto fulaninha usa roupa curta, de o quanto fulaninha não “se dá o valor”, de o quanto ela tem que “liberar aos pouquinhos”p/ não ficar mal falada ou então parte p/ o outro lado, não quer ser vista como vadia por usar roupa curta mas emite todos os comportamentos que geralmente as pessoas consideram como “de vadia”, ae como é que faz as pessoas mudarem de ideia se faz justamente o que elas esperam que faça?
De um lado entendo o pq disso: quando estamos em grupo podemos fazer coisas que nunca faríamos sozinhos.  Uma delas é andar de sainha e meia 7/8.
Do outro tais coisas só servem p/ deixar a marcha sem sentido e  virar só um dia em que as mulheres saem com roupinhas curtas  p/ serem avaliadas como gostosas ou canhões depois.

Mas Jheh, então como faz p/ dar certo?
Não tô dizendo p/ a partir de hoje mudarmos o guarda roupas p/ roupas com no máximo um palmo, nem dizendo p/ irmos à reuniões de trabalho com um decote até o umbigo. O que quero dizer é que,  ao invés de vestirmos qualquer roupa que já tenha um significado socialmente estabelecido e enfiarmos isso goela abaixo de conservadores, poderíamos mostrar que podemos ser inteligentes e competentes e mesmo assim usarmos uma roupa curta de vez em quando que isso em nada afeta o caráter ou a capacidade intelectual. Desmistificar o significado dado à roupa na prática.
Sim, é uma batalha cotidiana, mas que nunca deve vir como imposição. Não se ganha nada despertando raiva ou ódio dos outros. E chocar quase sempre gera aversão.

Um bom exemplo: mocinhas religiosas indo p/ a igreja. Todos bem sabem que usar saia no joelho e a gola quase no nariz não influi em NADA na atividade sexual de ninguém,

mas os bons costumes dizem que influencia. Ae as outras mocinhas religiosas que não gostam de andar assim e preferem roupas mais curtas são olhadas com reprovação. É claro que elas dão p/ todo mundo,não é? Não. O que essas mocinhas devem fazer para serem respeitadas? irem à igreja de espartilho,salto 15 e meia 7/8 com um lindo shortinho de rendinha? Bem, esse comportamento será visto como ataque de rebeldia, possessão, afronta, tudo menos como um “veja,minha roupa não significa nada do que vocês dizem”. Pq? p/ haver comunicação é preciso que uma pessoa fale e a outra entenda. Nesse caso não houve um entendimento,logo não houve comunicação. O que teve de errado? a imposição de uma ideia ainda nova. Quando entramos em território inimigo temos que decidir se vamos tentar convencê-lo das nossas ideias (mesmo que não passem a pensar do mesmo modo mas que entendam) ou se vamos partir p/ a briga. Convencer é vencer junto, partir p/ a briga sempre pressupõe um perdedor. Que provavelmente será a mocinha que é minoria.

“AAh Jheh, mas esse conservadorismo ferra com tudo!”  Pode até ser que em muitos casos sim, mas lembremos que conservador não é aquele que quer manter as coisas como estão a todo custo, e sim aquele que resiste à novidades que não vê funcionalidade ou futura melhoria. Nesse caso, se a mocinha simplesmente se rebela, os conservadores somente vão enxergar: “tá vendo, isso não é coisa boa, só confirma que a roupa tem a ver com o comportamento que ela emite”.

E aqui chegamos ao ponto principal: devemos conhecer nossos opositores (no caso,pessoas mais conservadoras), escolher nosso objetivo (no caso mudar o estereótipo de que roupas curtas significam vadiagem ou “quero dar”), e escolher a forma que vamos lidar com os opositores (para haver comunicação é preciso um jogo de convencimento).

Como faz isso? lembremos também que é uma coisa de cotidiano e não em grandes proporções. Por isso demora mais de se obter sucesso porém é mais eficaz (se todo mundo que partilhe essa ideia o fizer). Que tal ao invés de obrigar a tia beata a te ver de micro shorts e top e querer que ela mude a ideia de que a sobrinha é uma piriguete que num quer nada com a vida, num parte p/ uma coisa mais amigável? Tipo, no início maneirar na roupa e mostrar p/ a tia que é tão inteligente quanto alguém que viva de burqa, que sabe conversar, e depois a tia vai ver as roupas que a sobrinha usa mas vai lembrar que ela também tira boas notas, faz trabalho voluntário, sabe conversar com várias pessoas diferentes… Por mais que ela ainda pense que roupa curta=vadia, os comportamentos emitidos pela sobrinha não condizem com os comportamentos que ela define como “vadia”, e ela vai começar a perceber que não é “de um lado as santas e do outro as putas” ou “de um lado as que usam o cérebro e do outro as que usam os peitos”, e sim “uma mulher pode usar um tipo de roupa e não necessariamente emitir os comportamentos que eu esperado p/ quem use aquele tipo de roupa”.

Mas claro, isso é muito muito complicado, pq p/ cada pessoa que provoque esse conflito de roupas e comportamentos tem várias outras que reforcem o estereótipo. E esse reforço é bem mais visível que o conflito.
Da mesma forma que o exemplo usado do antissemitismo, pode sempre aparecer um judeu (famoso ou não) que faça o antissemita entrar em conflito com o que é por ele esperado de um judeu. Mas sempre que algum agir da forma que ele espera que haja ele vai dizer: “tá vendo? eu disse que judeu não presta!” e assim reforçar o estereótipo. O que acontece com o exemplo que gerou conflito? o antissemita responde: toda regra tem exceção, aquele foi apenas uma exceção.
O mesmo vai continuar acontecendo durante muito tempo com as roupas curtas. A sobrinha da beata ali em cima vai ser vista como exceção, pq a tia sempre vai encontrar trocentos outros exemplos que a façam pensar: “tá vendo? eu disse que quem usa roupa curta é vadia e num quer nada coma vida.”

Aí entram as lutas mais abrangentes, como as marchas. Pq vai começar a mostrar que há os que agem de acordo com o estereótipo mas há também muitos (às vezes até a maioria) que não aja de tal forma, e que estes querem respeito.
Essas coisas se repetem em outros casos,como na marcha da maconha ou até na parada gay: sempre vão existir os “maconheiros maloqueiros” mas isso não significa que todos sejam (nem que a maioria seja). Sempre vão existir os “gays depravados” mas isso não significa que todos ou a maioria seja. E são esses que se encontram fora do estereótipo que precisam ser ouvidos e respeitados.
Mas isso só vai acontecer quando o cotidiano parar de reforçar o estereótipo que as marchas e paradas tentam derrubar e quando as pessoas pararem de tentar enfiar suas ideias goela abaixo dos conservadores e passarem a mostrar na prática o pq do estereótipo estar equivocado.

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M4MÃ3 QU3R0 $3R N3RD

Já tinha falado do pseudo-intelectualismo, agora falarei do que mais tenho visto ultimamente: geeks/nerds/gamers.

Acontece algo engraçado comigo: alguns significados que parecem bem óbvios, como o de nerd, depois que vejo falar muito acaba perdendo o significado. Então não sei exatamente definir o que seria um nerd ou o que tem que ter p/ ser um.
Clichezinho básico

Mas imagino como uma pessoa que tenha interesse por certos assuntos e vá atrás de saber sobre eles, goste de aprender. Talvez meio que por definição esses assuntos estejam ligados a jogos, tecnologias, lazer específico, ciência e ficção científica, mas não necessariamente tem um padrão, um “todos amam isso” ou “todos odeiam isso”. Está ligado à inteligência também pelo tanto de conhecimento acumulado e deve ser por isso que parecem mais anti sociais: estudar no meio de um bar não é lá a coisa mais fácil do mundo…
 É assim que eu enxergo um nerd, de qualquer forma, é apenas um rótulo que pessoas se identificam ou são identificadas.

Existe diferença entre usar uma roupa típica ligada a  um grupo e PERTENCER  a esse grupo. Talvez aí apareça o maior número de “novos pseudo nerds”. Nada de errado em usar as roupas que quiser (mesmo que seja SÓ pq “tá usando”). Mas da mesma forma que usar um kimono não te transforma em japonês, uma burqa não te transforma em muçulmana, uma pulseira com spikes não te faz um metaleiro nem uma blusa rasgadinha te faz um mendigo, usar roupas ligadas ao grupo dos nerds NÃO te faz nerd. Alguns entendem isso, outros não.

Roupa é só uma parte que não tem o valor daquele grupo por ela mesma. Aliás, nem os grupos em si (seja qual for) têm aquela coisa “quintessencial”.

Vejo também uma explosão de geeks. Isso é estranho pq, depois da Apple mania, ver trocentas pessoas com dinheiro p/ comprar uma macieira se dizerem geeks mas não saberem usar o que têm é no mínimo contraditório.

O significado exato é entrelaçado com nerds e gamers, tendo sutil diferença. Dizem que sofrem de neofilia (são atraídos por tudo que é novidade, no caso, tecnologia) e são considerados mais “populares” que os nerds.

Gamers são os que eu mais vi nos últimos tempos. É tão estranho ver gente do nada aparecendo como “gamer desde criancinha”… aliás, dizer que gosta de algo há muito tempo soa como um “veja, eu não sou poser!” mesmo que seja verdade acaba soando dessa forma devido a tanta gente que implanta um passado novo a cada modinha. Eu já fui completamente viciada em jogos de video game e só parei pq não sei ainda controlar haha. Mas tem gente que eu conheço desde essa época que NUNCA jogaram e ae implantaram um passado obscuro p/ sustentar seu novo rótulo: gamer.

Sabemos que estas eram espécies rejeitadas pelas garotas de antigamente. Eis que surge um boom de “I ❤ NERDS” e de pseudo-nerdAs por aí. E é um ciclo: garotos bonitos e legais começam a se vestir como nerds, estilo nerd é valorizado pelas garotas, garotos se vestem/agem dessa forma e são valorizados, mais garotas passam a gostar disso, o que incentiva mais garotos a anunciarem o nerdismo (voltando ao início do ciclo)…

Idiot Nerd Girl - i love nerdy guys with abs
E como falei dos supostos gamers acima, as gamers se acham por serem garotas que jogam videogame.
Bem, na época e lugar que eu jogava era muito raro aparecer alguma garota que soubesse o mínimo de jogos,aliás, em dois anos de frequentação diária da locadora de videogame do meu irmão, não lembro de ter aparecido (só minha mãe que adorava jogar Zelda).
Hoje parece que tá tudo diferente, talvez pq na época que eu jogava o PS2 (que custava uns 2000 reais) fosse o mais famoso, pq Nintendo só ligavam ao Mario e XBox quase ninguém sabia o que era. De lá p/cá as coisas foram barateando, jogos online ganhando destaque, caindo no gosto de não-gamers, e não vejo mais aquela coisa segregadora de “só meninos jogam” ou “todo gamer é nerd”, popularizou e se tornou acessível com jogos que podem agradar a gregos e troianos. Então quero saber qual o sentido real de TER que anunciar todos os dias ao mundo inteiro que joga video game e, pasmem, é uma mulher (tipo assim:sou especial por isso) ? E qual o sentido de fazer esse anúncio com uma foto fazendo cara secsi? alguém explica?
Talvez eu ache tão normal pessoas jogando que num vejo nada de fantástico ou sobrenatural nisso. É que nem ver alguém anunciando todos os dias o quanto adora comer bacon (e tirando fotos com um pedaço de bacon fazendo cara secsi se achando).

Onde quero chegar é que trocar informações sobre assuntos é muito bom, ler coisas engraçadas ou curiosidades sobre o que gosta também, conhecer coisas novas também, conhecer gente que gosta do que você gosta também é bom e compartilhar o que achou é melhor ainda. Mas eu não vejo um sentido além do “chamar atenção” e “parecer cool” p/ aqueles que fazem mais questão que os outros VEJAM o quanto ele é nerd/geek/gamer e afins do que realmente SER um.
E até que alguém me explique a graça de fingir que adora algo vou continuar achando perda de tempo.

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Ciência nas escolas

Estava outro dia a conversar e ler sobre o ensino de ciência e o quanto isso influencia na visão que as pessoas têm do assunto.

Eu, por exemplo, tive um tanto de sorte. Desde criança bem pequena fui incentivada à curiosidade do “como funciona” e também a desenvolver a coordenação motora. Na escola muitas vezes havia mostras de ciência, trabalhávamos quase o ano todo para isso, e em aulas aprendíamos na prática como várias coisas acontecem. No ensino médio tive a sorte de ter ótimos professores, que fizeram o máximo com o mínimo que tinham disponível. E hoje estou aqui, fazendo Psicologia mas desejando viver 300 anos p/ ter tempo de fazer mais coisas, tendo o estudo como um dos maiores passatempos.

Mas mesmo tendo acesso às mesmas coisas que eu, sempre vi colegas com imenso desprazer quanto a esses assuntos. Aliás, escola e estudo são sempre chamados de chatos e inúteis, a coisa piora quando os alunos recebem assuntos que nunca fazem sentido, que são completamente deslocados das vivências, que não se mostram realmente úteis.
Uma parte vem do não incentivo dos pais. Minha mãe bem sabe o quanto eu questiono a tudo. Quantos pais querem filhos com opinião própria? não é p/ qualquer um lidar com isso. Mas os que o fazem não devem imaginar o bem que promovem.
Pessoas que não foram incentivadas podem aprender a serem curiosas na escola, pq a escola pode ensinar com êxito muito do que os pais não ensinam. Entretanto a ladainha se repete: quantos professores desejam alunos que questionem? questionar é ver como igual, ali, do lado, um aprendizado mútuo. Quantos professores querem admitir que podem aprender com seus alunos? felizmente passei a ver mais professores assim com o passar do tempo. E assim se repete o mantra de pessoas alheias ao aprendizado como um todo, achando tudo muito chato, tudo muito sonífero, tudo muito difícil, tudo muito inútil.

Como achar legal se TODO mundo disser que é chato e fizer questão de que seja assim? como achar fácil e se dedicar quando se depara com professores colocando medo, exigindo coisas que não foram capazes de ensinar efetivamente? como ver utilidade se as coisas colocadas só são vistas dentro da escola e depois desaparecem?

 

Criticar e apontar defeitos é bem fácil, então qual a solução que proponho?
Vou partir da escola. Crianças adoram coisas “oooohh”, que tal vez ou outra mostrar algo na prática? coisas simples como mostrar como ocorre a erosão ou que o período de um pêndulo independe da massa. Crianças e adolescentes ficam entediados facilmente.

Isso mostra que se for p/ ficar 2 aulas só falando é melhor não falar pq não vão aprender e a culpa não vai ser deles: falta motivação. Alguns assuntos são muito densos, por isso filmes, músicas, brincadeiras, experiências ajudam no aprendizado. Já viram o Donald no país da Matemágica? é um ótimo exemplo. Qualquer um gosta de ter suas capacidades reconhecidas e quando isso acontece acabam por produzir ainda mais. Algumas vezes o que chamam de dificuldade de aprendizagem é somente uma falta de incentivo, falta de reconhecimento, desprezo das capacidades, tudo isso baixa a auto-estima e o aprendizado é completamente desmotivado.

Mas professores devem também estar motivados. Como fazer algo bem feito quando se tem que trabalhar em várias escolas p/ garantir um salário digno? Além disso há a questão de: como ser um bom professor se a formação do mesmo foi precária?

Ciência ainda é vista como coisa distante, que só um seleto grupo de “escolhidos” têm acesso, quase uma seita secreta.

Eles fazem algo e o povão só compra o resultado sem ser incentivado a perguntar o pq é daquele jeito. O rótulo de “cientificamente  comprovado” já serve p/ sanar qualquer mínima tentativa de ceticismo que possa haver. É preciso formar curiosos, pensadores, questionadores, céticos e não pessoas que sabem nomes, datas e fórmulas p/ provas e sequer sabem o significado disso. P/ quem, depois do 1º grau, não vai fazer algo relativo à ciência, artes, filosofia, matemática, não vai ser útil saber quem foi uma ou outra pessoa, mas a curiosidade, a vontade de ir além, o não aceitar só pq alguém falou que era daquele jeito permanecem e isso é o que diferencia uma sociedade que pensa de uma sociedade onde a maioria é ensinada a obedecer.

Quando se aprende ciência descobre-se que ela não é o poder absoluto, nem a última palavra, não depende da “afinidade pessoal” p/ decidir algo e que muda e DEVE mudar sempre, se renovar, que cientistas são crianças grandes querendo descobrir respostas para os mais loucos “porquês”.

E quando se descobre isso percebe-se que não é algo distante, que dá p/ fazer até no dia a dia, que podemos nos sentir parte disso. Se  as escolas conseguirem passar essas simples ideias eu ficaria satisfeita. Os talentos despertados dependem do ensino que recebem pois as pessoas só vão passar a se interessar de verdade quando descobrirem que é algo alcançável e mais, que pode ser divertido. Cientistas não são magos, remédios ou um GPS não surgem de milagres e sim como fruto de muito estudo. É justamente isso que, p/ mim e p/ muitos, torna tudo tão fascinante (mais que qualquer tentativa de explicação sobrenatural).

P/ ensinar ciência (como todos os outros componentes curriculares) é preciso paixão pela área, até pq, não tem como querer que os alunos se interessem por algo que o professor parece estar sofrendo p/ transmitir.

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femismo X antissexismo: e os homens?

Estava a ler coisas internet a fora e lembrei de um assunto que queria falar há algum tempo: homens.
Sim, mas não do jeito que revistas machistas/femistas falam.
Na verdade, começarei deixando claro:
O que É feminismo: Luta pela igualdade de direitos E deveres entre homens e mulheres.

O que NÃO É feminismo: supremacia das mulheres; privilégios p/ as mulheres; subjugar homens; mulheres são perfeitas e homens são todos cafajestes que não dão o valor que essas mulheres merecem; discriminação de homens.

Isso causa extrema confusão, entre homens e mulheres, pq na maioria das vezes se referem ao de baixo (que é FEMISMO) com o nome do de cima. E ae eu vejo aos montes coisas como “feministas fedem” ou “feminazi” ou “feministas odeiam homens”. Nada mais equivocado. Tenho visto pelos perfis de facebook da vida uma onda de femismo que como resposta, não é de se surpreender, tem mais machismo. É uma briguinha ridícula de gêneros.
Feminismo (da mesma forma que masculinismo) não visam superioridade e sim a conquista de direitos, principalmente o direito de fazer o que quer. Por isso ambos são formas de anti-sexismo.

Dito isso, vale lembrar também que o antissexismo não obriga ninguém a nada. É conquista de direitos e deveres iguais, e dá a liberdade p/ a escolha. Ninguém pode fazer tudo, então temos que escolher o que queremos. Se uma mulher quiser largar tudo e virar dona de casa? que vire! E se ela não quiser parir nunca e dedicar a vida ao trabalho? Que faça! E se um homem quiser cuidar das crianças enquanto a mulher trabalha?  Que cuide! E se um outro homem quiser virar professor de jardim de infância e cuidar de trocentas crianças? Que faça! Se quiser trabalhar e sustentar a família toda? que assim seja!
Nós temos que exercer papeis, mas estes papeis não são estáticos. Por exemplo, uma família que não viva de renda não pode escolher ficar todo mundo em casa cuidando das crianças. Nem podem simplesmente os pais sairem p/ trabalhar e deixarem as crianças sozinhas. Alguém sempre terá que trabalhar, alguém sempre terá que cuidar, alguém sempre terá que fazer comida, alguém sempre terá que limpar a casa… o que é mutável é quem e com que frequência vai fazer isso: o marido, a esposa, um empregado…

Agora, vou falar do que disse no início: homens. O que quero com eles?

Simplesmente dizer que muitas mulheres que se dizem vítimas da sociedade machista mal percebem que homens também sofrem com pressões sociais.
Como? ser chamado de sexo frágil não é lá a melhor coisa do mundo, principalmente quando isso ultrapassa questões biológicas. Mas quem disse que ser exigido o “sexo forte” é fácil? Ser o sexo forte tá intimamente ligado ao “homem não chora”, ao “trabalhe, vagabundo, sustente a família inteira e faça pose de fortão”, ao “vá estudar que homem sem dinheiro é desprezado”,  “mulheres que são sensíveis e carinhosas, você, que é ogro por natureza, deve tratá-las bem”,”homens são descontrolados, agem por instinto pq só pensam com a cabeça de baixo”, “mulheres se acham princesas e você tem obrigação de ser o príncipe encantado”  “dê segurança à mulher” e no fim, não importa o que façam, vem alguém enchendo a boca p/ falar que nenhum homem presta. Sinceramente, eu acho esse um peso muito grande. E não acho nada justo que homens tenham que continuar sendo obrigados a carregar isso.
Por isso, homens, VALORIZEM-SE! e não falo em questão de vestimenta nem com moralismo e sim como um “vocês não têm a obrigação de ouvirem calados tpm, irritações, chatices, crises, manias de superioridade, nem nada de mulher nenhuma!”
Como assim, não têm? aquele texto que rola pelo facebook associado a Arnaldo Jabour num disse que homem tem que aguentar tudo isso? Sim, disse. Mas quem disse que o texto tá certo? Quem é obrigado a aguentar piti, crise de insegurança, chatice e afins dos outros?

Lembremos: só existem homens que se acham por ter um carro ou por ser bombado pq tem um monte de mulher que baba por essas “características”. E só tem mulher que faz isso pq tem homem que aceite se prestar a esse papel de objeto. E ambos os comportamentos só se perpetuam pq a própria sociedade faz questão de reforçá-los.
Se um menino cresce aprendendo que tem que ser rico p/ que alguma menina queira ele, acham que ele não vai aprender  isso?
Se alguma menina cresce achando que homens devem ser ricos p/ valerem a pena, acham que ela não vai começar a achar que isso é verdade?
Se um menino cresce ouvindo que homens, por natureza, não prestam, que são irracionais, que são descontrolados e ,por isso, sem sentimentos e devem pensar só em sexo (ou só pensam com a cabeça debaixo), ele não vai achar que isso é verdade e emitir justamente esse comportamento?
Ou se dizem p/ uma menina que mulheres são por natureza frágeis, choram por tudo, têm o direito de se irritar na tpm e descontar essa irritação nos outros, ela não vai achar também que isso é verdade e emitir tais comportamentos?

Ouvi uma frase femista que dizia o seguinte: “Homem é igual caixa de isopor: você enche de cerveja e leva p/ qualquer lugar.”
Como que alguém que trata o outro dessa forma quer ser bem tratado?
Falar nisso, já repararam em propagandas de cerveja no Brasil?

sempre com uma mulher de pouca roupa por perto. Isso é ruim p/ as mulheres? sim. Mas pode ser ruim também para os homens? sim. Isso perpetua aquele pensamento da frase e de que homens  são quase que animais, DEVEM pensar o tempo todo em mulheres bonitas, estar rodeado delas, pegar todas, “provar” a masculinidade sendo o macho alfa, .  E aqueles que não pensam assim? que se virem com comentários ridículos de que são “fracos”. E a propaganda onde a Gisele B. usA  pouca roupa p/ manipular o homem?

não são também uma ofensa? Tipo: tire metade de sua roupa e manipule todos os homens, afinal eles agem por instintos, são que nem animais, não vão raciocinar. E sabe qual a pior parte? muitas mulheres e homens aprendem a agir exatamente dessa forma.
É nisso que quero chegar: grande parte das coisas que achamos que é natural na verdade é culturalmente ensinado. E até coisas biológicas são maximizadas de tal forma que se distorcem radicalmente. E quem pode mudar isso? Quem começou com isso: nós mesmos. Que tal começar educando melhor as próximas gerações? Sem esses estereótipos e exigências que só servem p/ baixar a auto-estima das pessoas em busca de um ideal que nunca será alcançado?

Ser antissexismo é saber que só temos a perder com briguinhas e competições, que as diferenças não fazem um superior ao outro e sim complementam. Intelectualmente temos as mesmas capacidades e podemos aprender as habilidades que temos em menor quantidade. Então não há realmente um motivo p/ continuar essa disputa ridícula de gêneros que só faz atrasar. E quem pensa que eu falo isso só p/ homens está enganado. Falo principalmente p/ mulheres que se acham as “feministas modernas” mas que torcem o nariz quando o cara não joga flores pelo caminho, abre a porta do carro (dele) e paga o jantar no restaurante caro. Direitos iguais significa também deveres iguais e nada disso está ligado a privilégios p/ nenhuma das partes.

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…Remoendo pequenos problemas…

Post inspirado na música Blues da Piedade =D

Você certamente já ouviu falar de energia negativa, pessoas negativas, energias pesadas e afins. Você acredita? Bem, eu acredito sem aquela parte sobrenatural.

Como? Pessoas negativas sempre estão reclamando do quanto a vida é injusta,do quanto estão sempre cansadas, do quanto estão sempre sem tempo, do quanto sofrem, estão sempre com aquela cara de sofrimento infinito parecendo carregar o peso do mundo nas costas.  São sempre as vítimas de tudo.
Só de ler isso já dá p/ saber que não deve ser nada bom ter alguém assim por perto. E p/ isso ser chato não precisa ter algo sobrenatural.

As pessoas em geral sempre estão “se virando”, enxergando as contingências e exercendo controle sobre elas, alterando o próprio comportamento e o contexto. Tentam livrar-se ao máximo de estímulos que sejam aversivos.
Há diferença entre reclamar e reivindicar mudança e pessoas que ficam o tempo todo reclamando de tudo nunca fazem nada para mudar. Isso me parece uma perda do autocontrole, a pessoa parece não conseguir controlar as condições e acaba sendo completamente controlada por elas.

Todos sabemos que reclamar, se estressar, xingar, gritar, espernear, ficar de mal e mimimi nunca mudam nada. O que pode mudar o ambiente é justamente o comportamento emitido visando essa mudança. Todas as coisas que disse acima só fazem com que tudo fique mais pesado, mais chato, mais irritante e nunca muda.

Se você é uma dessas pessoas:
Dica 1- Treine autocontrole e habilidades sociais. Pq habilidades sociais? pq sabemos que muitas vezes para alcançar um objetivo precisamos dos outros, para isso precisamos nos comunicar bem de forma que se mantenha uma relação boa. Se você é uma pessoa do tipo que disse acima ou não vai conseguir cooperação de ninguém ou vai ser ajudado por simples pena (sei lá,eu pelo menos não gosto que sintam pena de mim…)

As dicas a seguir derivam do autocontrole e habilidades sociais.
Dica 1.1- Saiba organizar seu tempo. Muitas vezes nos estressamos quando as coisas não acontecem no tempo certo. Se organizamos tudo para cada momento conseguimos diminuir muito o stress e caso algum imprevisto aconteça, teremos mais tempo disponível p/ resolver.
Dica 1.2- Se você faz mais coisas do que dá conta, reavalie se isso é bom. Você tem que ter autocontrole, lembra?
Dica 1.3- Reclamar, xingar, chorar, espernear, lamentar não mudam nada. Então que tal ao invés de perder tempo com isso buscar respirar e pensar em alguma estratégia alternativa de se consertar o que deu errado e alcançar o objetivo? (Lembre-se: auto controle…)Isso é bom p/ você e p/ quem está a sua volta.

Suicídio e os estímulos discriminantes

Já ouviu falar da “música do suicídio”? ou de livros que várias pessoas leram e suicidaram-se? ou filmes e cartas que aparentemente levaram as pessoas ao suicídio? E já percebeu como algumas vezes ouvimos falar de vários suicídios na mesma época?
Será que ouvir uma música ou ler um livro é capaz de levar alguém a se matar?

Bem, comecemos do começo, falando sobre o comportamento:

Estímulos discriminativos não causam o comportamento mas dão a “dica” de que, se o comportamento for emitido, muito provavelmente será reforçado. Com isso aumenta a probabilidade de, ao acontecer o estímulo, ocorrerem respostas específicas.
Isto é chamado em comportamentalismo de contingência de três termos.
Por exemplo, o telefone toca (estímulo discriminativo) você atende (comportamento) e alguém responde do outro lado (reforço). Você já aprendeu que se o telefone toca muito provavelmente ao atender alguém irá falar. Tanto que, quando cai ou fica mudo, nós sabemos que não é o comum. Caso sempre que um telefone tocasse, você atendesse e ninguém respondesse, a probabilidade de você continuar atendendo iria diminuir até ser extinto.
Mas a pessoa tem que ter alguma familiaridade com aquilo p/ que seja possível ela responder da forma como é esperado. Por exemplo, alguém que nunca viu um telefone e não sabe p/ que serve não irá emitir o comportamento de atender quando ele tocar, pq não é o tocar que faz a pessoa atender, esse é só um aviso de que, muito provavelmente, alguém estará do outro lado.

O que isso tem a ver com suicídio?
Bem, sabemos que muitas vezes, quando ocorre um suicídio, as pessoas deixam cartas. E muitas vezes também, quando esse suicídio é televisado, essas cartas são  divulgadas. Como por exemplo a do Kurt Cobain.
O conteúdo dessas cartas mostra na maioria das vezes como a pessoa estava se sentindo,  o que estava pensando e até motivos que a levaram a consumar o ato.
E o que tem a ver com estímulo discriminativo?
Como falei, o estímulo discriminativo torna mais provável a emissão de respostas específicas. As cartas divulgadas também podem entrar na classe dos estímulos discriminativos, mas não para qualquer um (já pensou? ler uma carta e se matar pq leu?) e sim para pessoas com grande potencial suicída.
Isso significa que não é a carta que CAUSA o suicídio, mas ela pode servir como estímulo discriminativo que aumenta a probabilidade de essa resposta (o suicidar-se) ser emitida por pessoas que já sejam potenciais suicídas.

Algo parecido ocorre com músicas, livros, épocas.

O livro Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), de Goethe. Tem um tom autobriográfico apesar de os nomes, locais e final serem fictícios. O protagonista suicida-se devido ao amor não correspondido.
Houve na época uma série de suicídios relacionados a esse livro.

Aliás, o  ultra romantismo foi chamado de mal do século não por acaso. Há a forte presença do desespero, desesperança, pessimismo, angústia e evasão na morte. Havia a necessidade por uma vida melhor que não podiam conquistar. Certamente um estímulo discriminante e tanto para potenciais suicidas.

Lord Byron

Falando em espíritos de época, os acontecimentos também podem servir de estímulo discriminativo para o suicídio. Como? por exemplo, a crise de 29, também não por acaso chamada de a grande depressão. O número de suicídios ocorridos em NY foi enorme. A crise deixou 25% da população sem emprego. Na quinta-feira negra (grande quebra) houve uma grande quantidade de suicídios por parte de acionistas ao descobrirem que perderam tudo o que tinham. O pânico estava instalado.

Há uma música húngara chamada Szomorú Vasárnap, em português Domingo Sombrio. Esta música, escrita em 1933 pelo pianista autodidata Rezsõ  Seress, foi associada a centenas de suicídios. É uma lenda urbana pois não há dados suficientes para tal afirmação.
Mas é possível que esteja relacionada aos suicídios? Sim, mas como estímulo discriminante e não como “ao ouvir a música vai se matar”. A música tem uma letra depressiva, uma ideação suicida forte, mostra a morte do amor. O compositor a fez após o término de um relacionamento. Depois ele e a namorada voltaram por um tempo. Em pouco tempo ela se suicidou e ele também (atirou-se de uma janela).

Outras músicas que frequentemente são relacionadas a casos de suicídio são:  Beyond the Realms of Death (Judas Priest);  Highway to Hell (AC/DC);  Suicide Solution (Ozzy Osbourne);  o disco The Wall (com as músicas Goodbye Cruel World e Waiting for the Worms); Shoot to Thrill (AC/DC).

Muitos pais quiseram processar as bandas por culpar a música pelo suicídio. Ok, sabemos que não é a música que leva ao suicídio, sabemos também que não é bom divulgar cartas suicidas para não servir de estímulo discriminativo. E, como já falei no post anterior, suicidas na maioria das vezes apresentam sinais, seja por ações ou por falas.
Sabemos também que as bandas têm direito de produzirem as músicas (mesmo que depois sejam censuradas). E que esses pais não repararam nos sinais que os filhos deram e culparam as músicas. Quem tá certo? os pais ou as bandas?
Deixo a resposta a vocês.
Penso o seguinte: a música é estímulo discriminante, por isso essas bandas têm milhares de fãs e nem a maioria deles se mata (nem mata ninguém). Suicidas dão sinais, que muitas vezes são desprezados como sendo frescura ou rebeldia (no caso do adolescente). Se houvesse atenção a esses sinais, prevenção, acolhimento e tratamento, garanto que grande parte desses suicídios não teriam ocorrido, mesmo com as músicas sendo ouvidas. Dizer que a banda é inteiramente a culpada é um tantinho de exagero.

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suicídio na adolescência

Nos últimos dias eu estava fazendo um trabalho com o tema suicídio na adolescência. É um tema bastante complexo por falar de morte, algo que muitos evitam até pensar.

Suicídio se cofigura como o ato de matar a si mesmo de forma intencional. O suicídio está entre as 3 maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 34 anos. Por esse motivo, para a OMS (Organização Mundial de Saúde), o suicídio é um caso de saúde pública.

[behaviorism mode on]A adolescência,que é a fase de transição da infância para a vida adulta, é marcada por mudanças físicas e psíquicas. Diversos problemas psicológicos estão presentes na adolescência e se originam de punições sucessivas e constantes. Para fugir dessa punição são utilizadas rotas de fuga como a depressão, o abuso de drogas e o suicídio.

O adolescente suicida é alguém que está encurralado, agindo de forma irracional quando “escolhe” o suicídio, pois não há mais respostas eficazes de autocontrole. (mais aqui)[behaviorism mode off]

Como o tema é complexo e abrangente há a necessidade de uma intervenção multidisciplinar a fim de evitar riscos resultantes de uma visão unidimensional. Quando se trata de multidisciplinaridade,há a presença de médicos, educadores, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, profissionais de mídia, policiais, agentes comunitários de saúde, profissionais de saúde da família, profissionais de emergência e psicólogos.
MITOS E REALIDADES

MITO: Pessoas que ameaçam se suicidar, não se matam.
FATO: A cada 10 pessoas que cometem suicídio, 8 avisaram família/amigos/parentes.

MITO: Pessoas suicidas têm realmente a intenção de morrer.
FATO: A maiorias dos suicidas estão indecisos sobre viver ou morrer e, frequentemente, “brincam com a morte”. Confiando que outras pessoas vão salva-lo (a). Raríssimas vezes pessoas cometem suicídio sem avisar amigos e parentes.

MITO: Uma vez que a pessoa é suicida. Nunca mais voltará a ser normal.
FATO: A vontade de se matar passa. O indivíduo, com tratamento adequado, pode voltar a ter uma vida normal.

MITO: Melhoras depois de uma tentativa de suicídio significam que não há mais riscos.
FATO: A maioria dos suicídios ocorre quando o indivíduo começa a melhorar. Menos deprimido e com mais energia, o suicida consegue dar vazão aos seus pensamentos e sentimentos mais mórbidos.

MITO: Tentativas de suicídio servem pra chamar atenção.
FATO: A morte por suicídio geralmente acontece depois de 5 ou 6 tentativas mal sucedidas.

Segue o vídeo feito como parte do trabalho (ainda não corrigido)
suicídio na adolescência 

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mudanças: de visão, de ideia, de opinião.

Temos 3 alternativas: 1-Engessamos os pensamentos, atitudes, opiniões, e andamos por aí com as mãos nos ouvidos e lalalala não estou te ouvindoooo

2- Ficamos completamente volúveis, sem segurança, sem o mínimo de certezas, sem confiança alguma a ponto de, oh, wait, todos podem fazer algo contra mim a qualquer momento e, como não sei se o sol nascerá amanhã não posso planejar. Pode dar tudo errado a qualquer momento já que todo mundo pode mudar de ideia a qualquer hora!

3- aprendermos a equilibrar isso: que acertar é bom, que depois que erramos podemos aprender com essa experiência, que mudar de ideia não é ser traidor de nada, que reavaliar as atitudes é preciso.  Faxinas intelectuais são sempre bem vindas.

[behaviorism mode on]

Em nossa cultura erros comumente são punidos: com retirada da liberdade, numa nota baixa atribuida a uma prova, com gritos e/ou uso de força física, etc. Mas isso não ensina qual o certo, ou como fazer certo, e pode gerar respostas como raiva, depressão e baixa auto-estima.
É mais fácil e prático punir que ensinar o certo, mas quase sempre não é o mais eficaz.
Se tratássemos os erros como coisas que acontecem sempre e com todos, com menos aversão e rigidez, poderíamos passar a, ao invés de punir de alguma forma, guiar ao comportamento mais desejável tanto a nós quanto os outros.
mais aqui

P.e.: o sistema carcerário: grande parte das vezes só serve como punição, onde há a privação da liberdade. Ok, o que isso ensina? Nada. Muito provavelmente vão sair e cometer novos crimes. Comportamentos punidos não são esquecidos mas somente suprimidos podendo reaparecer quando longe do estimulo aversivo da punição. Exemplo: quando na presença de policiais, apresentar bom comportamento, fora disso, apresentar novamente comportamentos indesejáveis.
Estando presente um reforçador que utilize recompensas, mesmo que enquanto privados de liberdade, há um aprendizado eficaz e duradouro. Eles saberão que fizeram algo errado e têm a chance de aprender o certo (tendo oportunidade de, mesmo na cadeia, estudar, trabalhar, ter uma ocupação, gerar renda etc). Esse aprendizado poderá ser colocado em prática ao acabar a pena, não perpetuando a visão de que voltar ao crime seja a única coisa a fazer, pois o ambiente foi modificado.[behaviorism mode off]

p/ fechar:
“…é com nossas teorias mais ousadas, inclusive as que são errôneas, que mais aprendemos. Ninguém está isento de cometer enganos; a grande coisa é aprender com eles”.
K. Popper

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O grande Ditador


Great Dictator, The, 1940

Bem, depois eu faço uma resenha digna. (:
Mas p/ adiantar, tem uma história bem séria mas, é Chaplin, então sempre com a leveza de uma boa comédia, com toques irônicos e críticas. Foi produzido como sátira do nazismo e fascismo de Hitler e Mussolini, os EUA ainda não haviam entrado na 2ª Guerra. Chaplin foi expulso dos EUA e, ironicamente, premiado pelo filme nesse mesmo país.
O discurso proferido é realmente um dos mais bem feitos que já vi.
Cena clássica do filme:

Sinopse:
Chaplin faz dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de um gueto aterrorizado por tropas inimigas. É aqui que existe a clássica cena de Chaplin/Hynkel brincando com o globo terrestre.
Trailler


Filme no YouTube

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